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Das agruras de se escolher uma profissão desvalorizada socialmente (e dos privilégios invisíveis)

            Queridxs familiares e amigxs,

Obrigada por compartilharem comigo um momento de felicidade como este! Mas preciso pontuar uma coisa: a cada vez que vocês me dizem: “Parabéns!! Daqui a pouco você sobe mais ainda!” ou “Daqui a pouco você vem pra mais perto!”, indiretamente, vocês estão me dizendo que acham que eu estou no lugar errado; que eu deveria estar num lugar melhor, tanto do ponto de vista geográfico, quanto do profissional. Eu sei que a maioria de vocês diz isso porque, mesmo não sabendo o quanto eu ganho, imaginam (e imaginam certo) que não deve ser um salário de seis dígitos de um juíz. Nem mesmo um salário de cinco dígitos de um médico recém-formado. E que eu poderia ser juíza (e ter passado em Direito com a minha pontuação do vestibular). E que eu deveria ganhar mais e proporcionalmente à minha inteligência (seja lá o que isso for). Entendo que é uma atitude de carinho. Mas deixa eu contextualizar uma coisa pra vocês.

Fazer Letras (e não Direito) foi uma epifania do fim do Ensino Médio que deu certo. Muito certo. Fazer mestrado e doutorado enquanto uma parte pequena da minha turma já ganhava mais do que o suficiente para pagar as contas foi uma escolha de longo prazo. Que deu certo. Passar num concurso pra Adjunta no Nordeste logo depois de terminar a tese também foi um sonho que deu certo. O meu salário não chega a cinco dígitos. Mas é muito, muito maior do que o salário das minhas alunas que fazem especialização à noite ou à distância, após uma jornada de trabalho em, pelo menos, duas escolas, pagando um terço do salário delas do próprio bolso pra verem o seu salário aumentar 50 reais depois disso. Quando chegam em casa, elas ainda vão cuidar da casa e ensinar o dever prxs filhxs.

Brinco com elas que eu sou da “geração Toddy”: estudei no diurno, fiz as Iniciações Científicas que quis, viajei pra congressos com o dinheiro das minhas bolsas, porque nunca precisei me preocupar, durante a graduação, em como pagar as minhas contas. Pude viver de bolsa de mestrado e doutorado porque não tinha filhxs pra sustentar. Pude me dar ao luxo, desde o início do meu mestrado, de atuar em excelentes instituições,inclusive no Ensino Superior (o que, certamente, contribuiu muito para a minha aprovação no concurso). Então, pensem no quanto é ofensivo, não para mim, mas para a grande maioria da minha classe profissional, ouvir que “daqui a pouco, eu estarei ganhando mais”. Porque a grandessíssima parte das/dos minhas/meus colegas de profissão não têm o meu salário ou trabalham demais para ter. Porque eu não preciso de mais. Porque eu estou num esquema superprivilegiado de trabalho e não quero estar em outro lugar. Estou exatamente onde planejei estar há dez anos atrás.

E eu só estou nesse lugar devido aos imensos privilégios de classe média que eu sempre tive e vou continuar tendo. E não, nenhum de nós “só é feliz ganhando xx mil reais”. (Falem isso pra qualquer profissional da área de humanas e ganhem inteiramente grátis um sorriso constrangido ou uma gargalhada sarcástica.) E não, eu não me sinto, como em profissões mais privilegiadas socialmente, “escravizada pelo governo” (embora ache válidas manifestações para melhoria de condições de trabalho de professorxs universitárixs). Simplesmente porque não me sinto mesmo. E acho completamente descabida a comparação das minhas condições de trabalho às de escravos. Então eu te convido, junto comigo, a sair um pouco do próprio umbigo e reconhecer os privilégios que temos. É desconfortável, é dolorido, mas vale a pena. Bora?? 🙂

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Desrespeito ao cliente: bar do Tilapa

Reproduzo abaixo um e-mail da queridíssima Natty (@navelar), que passou por uma situação constrangedora, para dizer o mínimo, no Bar do Tilapa, participante do festival “Sabor de Bar” de Sete Lagoas. Divulgo porque acho absurdo que qualquer pessoa, independentemente do fato de ser ou não ser consumidor(a), ser tratada desta forma:

Gostaria de relatar o incidente ocorrido no último sábado, dia 13/08, no bar do Tilapa, participante do Festival Sabor de Bar. Chegamos (eu, minha irmã, meu cunhado e duas primas) ao local por volta de 20h. Na entrada fomos abordados por um funcionário entregando comandas individuais. Chegamos a questionar sobre a necessidade destas, mas ele disse apenas que era para controle. Mais nenhuma informação nos foi passada. Nessa noite o bar estava funcionando no quintal, e era a primeira vez que estávamos indo ao estabelecimento. Durante a primeira hora ali, estava tocando um agradável som ambiente. Porém, de repente, começou a tocar uma banda de rock e blues. A qualidade das músicas estava até boa, mas o volume estava alto a ponto de não conseguirmos conversar direito e nos sentirmos desconfortáveis de permanecer ali. Após terminarmos de comer o que havíamos pedido, resolvemos ir embora. No momento de acertar a conta, para nossa surpresa, fomos informados de que havia um valor de couvert de 5 reais por pessoa. O art. 6° do Código de Defesa do Consumidor diz que é direito básico do consumidor a informação. Em momento algum fomos informados sobre o couvert, o que deveria ter acontecido no momento da entrega das comandas (ou estar escrito nas mesmas ou no cardápio). Judicialmente, existem 3 requisitos para o couvert artístico ser cobrado:
a)Oferecimento de show de música “ao vivo”;
b)Informação antecipada sobre o valor a ser cobrado;e
c)Existência de contrato de trabalho entre o artista e o estabelecimento (Lei Delegada nº4/62, art. 11,”c”).

Desses 3 itens, apenas o primeiro foi cumprido. Conhecemos a pessoa que levou a banda para se apresentar naquele dia e ela nos informou que os músicos não cobraram nada para tocar ali, apenas as bebidas que consumiram.

Temos ainda no mesmo Código:

II) – COUVERT ARTÍSTICO
Trata-se de venda casada qualitativa, proibida no artigo 39 do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. Só é válido nas casas que oferecerem músicas ao vivo ou alguma outra atividade artística em ambiente fechado. A casa deve afixar em local visível o contrato entre os músicos e o estabelecimento.

Insatisfeitos com a situação, pois não havíamos sido informados sobre o couvert, fomos argumentar com o próprio dono do bar, pedindo ao meu cunhado que fosse conversar com o mesmo para tentar negociar o pagamento de 1 couvert pela mesa. Assim que meu cunhado expôs a negociação ao ilustre dono do bar, o qual estava visivelmente embriagado, obteve como resposta gritos, insultos e palavrões do mais baixo calão. Para piorar a situação, a filha do dono do bar, que estava no caixa, ao invés de tratar-nos com o respeito que merecemos como clientes diante da embriaguez de seu pai, preferiu corroborar sua atitude violenta, dizendo que isso é coisa do “povinho de Sete Lagoas”, que “gente do nosso tipo não precisava voltar ao bar” e ainda que éramos “pobres, e que pobre não devia ir a bar de rico”. Tudo isso ocorreu aos berros, na frente de todos os clientes que estavam no local, para quem quisesse ouvir. Humilhados e chocados com o desrespeito, pagamos a nossa conta (sem o couvert) e saímos do bar, dizendo que a nossa nota para eles no Sabor de Bar era 0. Eles responderam que “a nossa opinião não ia fazer a menor diferença”. Já fora do bar, indo embora, fomos surpreendidos pela abordagem de uma das garçonetes, que, gratuitamente, foi até à varanda que fica na rua Goiás para insultar-nos, aos berros: “Gordinha, vai fazer uma regime”, “Vagabunda, vai arrumar um serviço” e “Pobres, pobres, pobres!!”. Um dos quesitos que é julgado e valorizado pelo Festival Sabor de Bar é justamente o atendimento aos clientes, além da valorização da cidade como um todo, usando para isso a gastronomia local. Me pergunto se um bar que trata seus clientes dessa maneira humilhante, debochando do “povinho de Sete Lagoas”, está à altura de participar desse evento, quiçá se está apto a funcionar. Espero que nosso apelo seja ouvido e que nossa opinião não seja em vão, como afirmou o ilustre dono do Bar Tilapa.
Divulgue esse e-mail e ajude a acabar com o desrespeito ao consumidor.

Obrigada.
Natália Avelar ●๋•

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Sobre o que não gosto aqui

Minha autoconfiança tá ali embolada e jogada fora nalguma lata de lixo. Talvez o maior desafio que eu tenho enfrentado ao viver em outro país não seja a língua, o frio ou a falta de sol: é que aqui eu de repente me deparei com uma Maíra fraca, medrosa, que morre de medo a ponto de ficar paralisada. Acho que eu estava com medo até mesmo de escrever, pois é difícil admitir que eu também posso não ter autoconfiança, não ser proativa, ter medo de não dar conta da minha pesquisa… São coisas que eu nunca senti antes, mas que vieram à tona com muita força aqui. Acho que ninguém gosta de se deparar com seu lado degradado, e aí a gente faz que nem o Dorian Gray e esconde todas as nossas imperfeições no porão, até que um dia encontramos o retrato de nossas próprias imperfeições.E pode ser aterrorizante aquilo que vemos.

Na minha pesquisa, nunca me senti tão perdida. Fico protelando, enrolando e querendo fazer todas as outras coisas que não sejam a pesquisa. Sinto-me perdida em meio de dois campos diferentes de interlocução e morro de medo de ser massacrada pelos quantitativistas. Tive um conversa bastante produtiva com meu orientador brasileiro e sua esposa, que me disseram que meu campo de interlocução tem que ser a área qualitativa, que é de onde eu venho e o que me interessa… Preciso bancar a minha escolha e enfrentar as críticas, logo eu, que me autocritico sempre e não suporto a ideia de falhar no campo acadêmico. Mas é o ônus de escolher fazer uma coisa nova e não repetir que nem vitrola arranhada o que várias pessoas já disseram por aí. Protagonizar mudanças, a minha ambição inicial, implica em riscos. Sinto falta da Maíra destemida e ousada, que simplesmente toca o foda-se e segue em frente com suas ideias absurdas e seus projetos ambiciosos.

Pra piorar a situação, estou numa cidade da qual não gosto. Levou um tempo para eu assumir pra mim mesma que não gosto de Genebra. Acho que é o lugar mais triste que eu já vi: o silêncio é opressor, as pessoas não sorriem nunca e as ruas são sempre vazias, especialmente depois das 6 da tarde. Reconheço que, se eu fosse mais elitizada, poderia gostar de dar um rolé pelas lojas da Louis Vuiton, pelas várias lojas de joias ou relógios, mas uma das coisas de que mais sinto falta no Brasil, é do seu João da farmácia que me pede pra trocar uma nota de 20 por duas de 10; é da D. Maria do EPA, que me diz que farofa Yoki é mais prática, é de diversidade…

Uma coisa que me choca aqui na Europa, até então, é a falta de diversidade no que diz respeito a pessoas: diferentemente do que eu pensava, aqui as pessoas são praticamente todas iguais, inclusive no modo de agir e em todos aqueles protocolos que eles adoram seguir. Não tem povo aqui, sabe? (Especialmente na Suíça, né) É tudo insuportavelmente igual. Esse mundo bege, pra mim, não tá com nada. Odeio o frio externo e o frio das pessoas. Sinto falta de conversar no ônibus com alguém que nunca vi, de buteco, de cinema barato, de feira lotada de gente e até de ônibus cheio. Sinto falta de 12 horas de luz, de salão de beleza uma vez por mês, de poder rir alto e ninguém se assustar, de comida com gosto de alguma coisa…

Quero voltar pro meu sol, pro meu povo, pro meu buteco, pro meu bairro… O fato de ter sido criada no interior também conta muito nessa vontade de “ter minha vida de volta”. Posso passar o resto da vida num grande centro, mas a cultura de querer conhecer e conversar com as pessoas; de prezar pela proximadade, sempre estará internalizada em mim. Não quero viver num lugar rico e sem graça nenhuma. Prefiro o caos colorido, como aquelas lunetas mágicas que tínhamos quando crianças, em que você olha num buraquinho, gira, e a cada hora vê figuras diferentes sendo formadas com pedrinhas coloridas.

Espero que 2011 seja mais produtivo do que 2010 aqui na gringolândia…

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Enfim, notícias!

Bom, para aqueles que estão ávidos por notícias genebrinas e foram sumariamente enganados quando disse que daria notícias pelo blog (desculpa, gente, não resisto às eleições!), em vez de fazê-los por aqueles e-mails enormes que ninguém lê, vou contar pra vocês um pouquinho do meu cotidiano aqui, fazendo observações “brasiliocêtricas” sobre Genebra.

1- Bom, a primeira coisa que chama muito a atenção de uma brasileira aqui é o clima. Estamos no outono, mas pra mim, é o inverno mais rigoroso que já vivi. Outro dia, tava saindo da aula que tenho à noite (ainda mato esse prof, que dá aula de 8 às 10 da manhã e de 18 às 20h) e comentei com a minha amiga indiana (a única das minhas colegas de sala que acredita em mim quando digo que sinto muuuito frio): “Nossa, se tá assim agora, imagina no inverno…” E ela, com uma cara de desespero genuíno: “Não, não, para! Melhor não imaginar!!!” Bom, praqueles que acreditam em inferno um aviso: se o inferno existir, COM CERTEZA ele é gelado!

2- A segunda coisa que chama muito a atenção aqui é o silêncio. Nos primeiros dias em que estava aqui, percebi que havia algo me incomodando. Quando entrei no saguão da fac pra fazer matrícula, ouvi um barulho de gente conversando e entendi: era o silêncio. Aqui os carros não buzinam nem se você pular na frente. As pessoas jamais gritam. Você pode ir pra um lugar lotado de gente, que não vai ouvir a conversa dos outros (coisa que eu amava fazer nos butecos no Brasil). Não tem essa de entrar no ônibus e convesar com a pessoa do lado (fiz isso outro dia com uma baiana e fiquei feliz da vida!). Quando você ouve alguém falando alto, geralmente é italiano ou brasileiro. JAMAIS será um suíço, nem se ele estiver bêbado.

3-A terceira coisa que me chamou a atenção aqui foi a falta de pressão para termos os mesmos cabelos loiros e escorridos, andarmos sempre de maquiagem, lotarmos o banheiro olhando o cabelo no espelho… Já falei disso num outro post. E olha que eu nem sou, nem de longe, das mais preocupadas com essas coisas no Brasil. Já fui mais “relaxada” do que atualmente, mas jamais fui paranoica. E consegui sentir um puta alívio quanto a isso.

4- Isso me leva à quarta observação: o comportamento dos homens. Em geral, os homens aqui não olham pra você como se você fosse um pedaço de carne no açougue. Não que aqui não haja machismo, mas não tem aquele comportamento pedreiro de você sair na rua e mexerem com você. As três vezes em que homens me mascaram descaradamente, lamento informar, mas eram brasileiros. E lamento inclusive pelos meus amigos legais do Brasil, porque a sensação foi bem desagradável. Enfim: quando você sai com um cara aqui, ele não tenta te comer desesperadamente de todas as formas. E se você tomar a iniciativa de ligar no dia seguinte, não rola aquela conversinha mole entre os amigos dele, do tipo: “Nossa, ela está desesperada, cuidado, vai colar no seu pé”, entende? Acho, sim, que os homens aqui são mais reservados e menos cheios de paranoias e frescuras. As coisas são mais diretas. E mais tranquilas.

5- Se você dá uma nota de 100 pra pagar um lanche de 3 francos, NINGUÉM  faz cara feia, reclama ou pergunta se você tem menor. Se você vai atravessar a rua, os carros sempre param pra você (confesso que nunca me acostumo com isso e espero uns 5 segundos depois de o carro parar pra atravessar.Em todos os estabelecimentos comerciais em que você entra, as pessoas dizem “Bom dia”, “Obrigada, tenha um bom dia”. Acho que os europeus são mais civilizados? Não, cara-pálida, é que aqui os funcionários das lojas são bem pagos e recebem treinamento, além de as leis serem colocadas em prática. Experimenta não parar pra um pedestre pra você ver a indenização absurda que você vai pagar…

6- Aqui existe racismo contra estrangeiros. Você vê isso até em expressões de piada que usam, do tipo: “Ele fala francês como um puto espanhol”. O pessoal aqui (não só na Suíça, mas também na Bélgica e até mesmo em Portugal, um país menos rico) culpa os imigrantes por todas as mazelas que acontecem no país. Então europeu é mais racista que nós brasileiros, seres pacíficos e adeptos à diversidade? Engano de novo cara-pálida. Pra mim o Brasil é super racista, mas é um racismo interno, contra negro, contra pobre, contra nordestino (as manifestações xenofóbicas desta semana não me deixam mentir!)… Inclusive, acho que o racismo no Brasil é menos descarado, mas mais hipócrita e, por isso, difícil de ser combatido. Ainda mais agora com leis  em que alguém pode ser criminalizado por racismo. Mas o nosso racismo, pra mim, acontece quando vemos um negro e atravessamos a rua, quando criamos pédios com elevador de serviço, e lá se vai uma lista imensa…

7- O transporte público é sensaconal! O ônibus não sacoleja, não dá aquelas freadas inesperadas, passa exatamente na hora e não faz aquele percurso de caracol pra chegar nos lugares. Dentro dos ônibus, há um painel que indica o percurso e uma indicação por voz do nome da próxima parada. 90% as publicidades que têm dentro (E FORA) dos ônibus são relacionadas à programação cultural da cidade e também do restante da Suíça.

Bom, perdi a inspiração pra continuar a lista… Vou escrevendo mais sobre as minhas impressões cotidianas de imigrante!

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Sketches- Misunderstandings

DIÁLOGO 1- Maíra e seu namorado superlord:

M: Nossa, mas seria muito cara de pau se eu fizesse isso!

((2 min depois, Maíra já no quinto assunto:))

NS: Carra (ele tem um ‘r’ germânico vindo diretamente da úvula)  de pão?!?!

((2 min de gargalhada de Maíra – como dizem os jogadores de futebol, “quem conhece, sabe”))

M: ((escrevendo)) Cara de pau

NS: Ah

((3 min depois, Maíra já no seu 156° assunto))

NS: Desculpe, não percebi. Você poderia me explicar o que é carra de pau? É que olhei no diccionário (português de Portugal) e não encontrrei.

((12 min de gargalhada homérica de Maíra -e desespero de todo o quarteirão))

M: Cara de pau, descarado.

NS: ((rindo educadamente)) Desculpe, vou prrecisar de outrra palavrra

M: Hum… Explícito?

NS: Ah, obrrigado!

É ou não é o mais lord do Brasil? Ops, da Europa?

DIÁLOGO 2- Maíra e a dona da sua ex-casa (YAY!)

DC- Para onde você vai se mudar?

M- Para Mont-Blanc

DC- Esse nome não me diz nada

M- É bem próximo à estação ferroviária

DC- Bairro ruim! ((Seguido de uma careta, um barulho de peido com a boca e um dedo polegar para baixo)) Tudo o que é próximo à estação ferroviária tem prostituição, drogas, ladrão…

M- Bom, vou anotar meu endereço, pois, você quiser me fazer uma visita, terei prazer em lhe receber!

DC- EU?! Com o MEU carro?! Não vou NUNCA! Se você quiser vir aqui, ok, mas eu não vou até a sua casa!

Se ela estivesse no Brasil, tenho certeza do candidato em que ela votaria! Tenho medo de pensar em quem ela vota aqui na Suíça…

Ah, vale a pena o update depois da conversa:

DIÁLOGO 3- Maíra, sua superamiga brasileira e o namorado super gente fina dela [da amiga],  esperando o ônibus tarde da noite na estação ferroviária, no mesmo dia da conversa com a dona da ex-casa (YAY! -não consigo não dar o gritinho de felicidade :P)

M: Diz a dona da casa que aqui é um “bairro ruim” (repete o gesto “careta-peidinho-polegar”).

SB:  Uai, é?

M: ((Olhando pras pessoas bem vestidas em torno da estação)) Uai, diz que é…

((15 min depois)):

M- Uai, cadê os fumados de crack, as prostitutas, os ladrões????

SB- ((risada))

((5 min depois))

NSGF (a sigla ficou enorme!): Tô sentindo uma maré de baseado. Ó as drogas aí!

((Gargalhada geral))

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Gente folgada

Eu odeio muito gente folgada, sério mesmo. Um dos filhos da dona da casa onde moro voltou do internato pra casa. Ele não tem um pingo de bom senso sequer, sério mesmo.

Ele fuma, ouve som alto até tarde e acorda às 6h da manhã, com o rádio-relógio, pra ir pra aula, mas continua ouvindo a música com a qual desperta. Adivinha onde fica o meu quarto? Bem ao lado do dele, é claro. Daí tô um bagaço, porque tem 2 noites que eu basicamente n durmo.

Hoje descobri que tem um quarto no porão e estou considerando seriamente a possibilidade de me mudar pra ele, apesar de ser mais úmido e frio que o meu atual quarto. Mas, sinceramente, não é legal acordar devido à falta de bom senso alheia. Menos legal ainda é ouvir as brigas diárias dos dois.

Primeiro, pensei na possibilidade de conversar com ele e tentar estabelecer regras. Mas uma das coisas mais importantes que aprendi ultimamente, foi a conversar apenas com quem pode minimamente me ouvir. Porque tipo: eu tentaria estabelecer regras, ele não obedeceria, eu me estressaria, brigaria com ele e ele continuaria lá, ouvindo “I gotta feeling” no último volume 15 vezes (ah, sim, descobri o verdadeiro sentido de “cultura de massa” quando ouvi as músicas dele, que são exatamente as mesmas que a maioria dos meus alunos escutava).

Vocês devem estar pensando: “Ai, lá vem a Maíra com o seu radicalismo!” Mas sabe porque tenho quase certeza absoluta do que digo? Porque a primeira regra estabelecida foi: fumar apenas fora da casa. Ontem à note, o que eu encontro logo que subo pro sótão? O que encontro no baheiro? O que  encontro no chão do quarto dele? ADIVNHA! Ontem cheguei aqui e tava a dona da casa com a maior cara de choro porque o fdp do menino, no primeiro dia de aula fora do internato, não tinha chegado em casa até 8 da noite (ele sai às 5). Deu pra sacar cumé q ele é? Daí vou propor de dormir no sótão.  Se a dona precisar do quarto algum dia, eu durmo no “meu”. Tomara que ela aceite…

Mas fico pensando: o que faz com que uma pessoa simplesmente ignore a existência de todas as demais? Porque ele não faz as coisas “pra aparecer”, pra encher o saco ou nada disso: ele simplesmente faz o que lhe dá vontade, não importa o quanto isso incomode ou chateie o outro, pois o outro simplesmente não existe. E, se chega a existir, pouco importa. Acho que mais do que odiar muito gente folgada, odeio mais ainda gente egoísta.

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Descobertas femininas

Estou passeando em Lisboa nesta semana. Estava me sentindo meio insegura e achei que um pouco de português e de amigos queridos me faria bem. Estando aqui, pude comprovar alguns detalhes que já havia notado na Suíça e que dizem respeito aos massacrantes padrões de beleza a que somos submetidas no Brasil e também a como a cabeça dos homens funciona na Europa. Seguem algumas observações, todas carregadas de juízo de valor brasileiro, vale lembrar:

1- Fui ao banheiro das mulheres no shopping e fiquei  chocada: não é lotado de mulher no espelho
2- Todo mundo assume o cabelo que tem. Você não sai na rua e vê simplesme nte um monte de cabelo alisado e quase sempre loiro. As mulheres não ficam passando a mão no cabelo 24h por dia.
3- Não tem mulher no ônibus olhando desesperadamante o batom no espelinho da bolsa.
4- Saí com um vestido comprido e um babtonzinho e fui olhada pelos homens com interesse e pelas portuguesas com desprezo.
Me sinto livre aqui: livre dos padrões massacrantes que o Brasil nos impõe.
Estou tendo um affair com um belga tudo de bom,  que fala português superbem. Até então, pude comprovar o seguinte:
1- Homem aqui é outro departamento. São discretos e não querem te comer a qualquer custo na. Parece que as coisas acontecem mais naturalmente, sabe?
2- Outra coisa também: não tem nada dessa galinhagem do Brasil. Os caras aqui não têm essa cultura PODRE de sair pegando todo mundo… O belga, por exemplo, teve duas namoradas na vida e, segundo o marido da minha amiga (que contou pra ela e não pra mim hehehe), só transou uma vez. E ele é um cara bonito, interessante, estudado, essas coisas. Ele é tão ingênuo e verdadeiro, que dá até um pouco de dó…
3- O raciocínio dele não faz curva.  Hoje, por exemplo, ele vai a uma festa, mas não quer me levar. Ele disse o seguinte: “Tenho uma festa de despedida de uma amiga para ir amanhã. Ela não sabe que estamos juntos e eu prefiro esperar mais um pouco”. Fim. Simples assim. Sem mentiras, sem subterfúgios, sem combinar, desmarcar (mas não avisar que desmarcou) e depois simplesmente me deixar plantada e não atender o celular.
4- No nosso encontro, ele se atrasou. No horário combinado, ele me ligou e avisou. E foi um atraso de 5 minutos.
5- Ele não reparou uma só vez a minha unha, o meu cabelo, a minha roupa ou a minha bunda. Ele estava muito mais interessado no que eu tinha a DIZER!

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