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Desrespeito ao cliente: bar do Tilapa

Reproduzo abaixo um e-mail da queridíssima Natty (@navelar), que passou por uma situação constrangedora, para dizer o mínimo, no Bar do Tilapa, participante do festival “Sabor de Bar” de Sete Lagoas. Divulgo porque acho absurdo que qualquer pessoa, independentemente do fato de ser ou não ser consumidor(a), ser tratada desta forma:

Gostaria de relatar o incidente ocorrido no último sábado, dia 13/08, no bar do Tilapa, participante do Festival Sabor de Bar. Chegamos (eu, minha irmã, meu cunhado e duas primas) ao local por volta de 20h. Na entrada fomos abordados por um funcionário entregando comandas individuais. Chegamos a questionar sobre a necessidade destas, mas ele disse apenas que era para controle. Mais nenhuma informação nos foi passada. Nessa noite o bar estava funcionando no quintal, e era a primeira vez que estávamos indo ao estabelecimento. Durante a primeira hora ali, estava tocando um agradável som ambiente. Porém, de repente, começou a tocar uma banda de rock e blues. A qualidade das músicas estava até boa, mas o volume estava alto a ponto de não conseguirmos conversar direito e nos sentirmos desconfortáveis de permanecer ali. Após terminarmos de comer o que havíamos pedido, resolvemos ir embora. No momento de acertar a conta, para nossa surpresa, fomos informados de que havia um valor de couvert de 5 reais por pessoa. O art. 6° do Código de Defesa do Consumidor diz que é direito básico do consumidor a informação. Em momento algum fomos informados sobre o couvert, o que deveria ter acontecido no momento da entrega das comandas (ou estar escrito nas mesmas ou no cardápio). Judicialmente, existem 3 requisitos para o couvert artístico ser cobrado:
a)Oferecimento de show de música “ao vivo”;
b)Informação antecipada sobre o valor a ser cobrado;e
c)Existência de contrato de trabalho entre o artista e o estabelecimento (Lei Delegada nº4/62, art. 11,”c”).

Desses 3 itens, apenas o primeiro foi cumprido. Conhecemos a pessoa que levou a banda para se apresentar naquele dia e ela nos informou que os músicos não cobraram nada para tocar ali, apenas as bebidas que consumiram.

Temos ainda no mesmo Código:

II) – COUVERT ARTÍSTICO
Trata-se de venda casada qualitativa, proibida no artigo 39 do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. Só é válido nas casas que oferecerem músicas ao vivo ou alguma outra atividade artística em ambiente fechado. A casa deve afixar em local visível o contrato entre os músicos e o estabelecimento.

Insatisfeitos com a situação, pois não havíamos sido informados sobre o couvert, fomos argumentar com o próprio dono do bar, pedindo ao meu cunhado que fosse conversar com o mesmo para tentar negociar o pagamento de 1 couvert pela mesa. Assim que meu cunhado expôs a negociação ao ilustre dono do bar, o qual estava visivelmente embriagado, obteve como resposta gritos, insultos e palavrões do mais baixo calão. Para piorar a situação, a filha do dono do bar, que estava no caixa, ao invés de tratar-nos com o respeito que merecemos como clientes diante da embriaguez de seu pai, preferiu corroborar sua atitude violenta, dizendo que isso é coisa do “povinho de Sete Lagoas”, que “gente do nosso tipo não precisava voltar ao bar” e ainda que éramos “pobres, e que pobre não devia ir a bar de rico”. Tudo isso ocorreu aos berros, na frente de todos os clientes que estavam no local, para quem quisesse ouvir. Humilhados e chocados com o desrespeito, pagamos a nossa conta (sem o couvert) e saímos do bar, dizendo que a nossa nota para eles no Sabor de Bar era 0. Eles responderam que “a nossa opinião não ia fazer a menor diferença”. Já fora do bar, indo embora, fomos surpreendidos pela abordagem de uma das garçonetes, que, gratuitamente, foi até à varanda que fica na rua Goiás para insultar-nos, aos berros: “Gordinha, vai fazer uma regime”, “Vagabunda, vai arrumar um serviço” e “Pobres, pobres, pobres!!”. Um dos quesitos que é julgado e valorizado pelo Festival Sabor de Bar é justamente o atendimento aos clientes, além da valorização da cidade como um todo, usando para isso a gastronomia local. Me pergunto se um bar que trata seus clientes dessa maneira humilhante, debochando do “povinho de Sete Lagoas”, está à altura de participar desse evento, quiçá se está apto a funcionar. Espero que nosso apelo seja ouvido e que nossa opinião não seja em vão, como afirmou o ilustre dono do Bar Tilapa.
Divulgue esse e-mail e ajude a acabar com o desrespeito ao consumidor.

Obrigada.
Natália Avelar ●๋•

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“Paranoia petista”

Este post é destinado especialmente àquel@s que me disseram que “tanto faz votar na Dilma ou no Serra, pois não há mais diferença entre PT e PSDB”. E que “o Serra não seria burro o suficiente pra extiguir os programas sociais do governo e nem começar a privatizar tudo, pois a pupulação é contra”. Pois bem: num é que o Wikileaks pegou o Serra com a “boca na botija” na questão do pré-sal? (Golaço da Dilma em insistir nisso na campanha!) E olha que foi a Folha quem publicou o troço. Daí dá pra ver que não tem pra onde correr em defesa do Serra. Embora ele tente, pra variar.

E é importante lembrar que as principais mudanças votadas no Congresso em relação ao pré-sal dizem respeito a:

1- Destinar parte da verba gerada pela exploração de petróleo aos programas sociais do governo (um dia ainda escrevo sobre isso. Mas para aqueles que dizem que iriam mudar pros EUA, caso a Dilma ganhasse, um aviso: o bolsa-família do Brasil foi copiado em NY).

2- Manter a soberania nacional na exploração do petróleo (essa parte tá bem explicadinha na matéria da Folha).

Vou postar só o quadro-resumo da matéria, acrescentando a célebre vitimização agrassiva de Serra, que não tem UM PINGO de vergonha na cara, como bem demonstrou no segundo turno das eleições:

Ah, não pode faltar a célebre cara de pau do Serra, e os seus sempre imbatíveis argumentos: “Isso não faz sentido” e “Isso não é o meu estilo” (ele deveria andar com um gravador, coitado…)

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Feminazi

Contextualizando um pouco…

Ontem, no blog do Nassif, foi publicado um texto que provocou muita indignação na blogosfera feminista. Só para contextualizar um pouco a história, o Nassif publicou um comentário avulso do André, em que o autor critica as feminazis, que, segundo o autor, serve para designer “feministas radicais” (seja lá o que isso queira dizer, mas enfim…) Na verdade, o que me espantou muito (e à maioria das integrantes da lista “blogueiras feministas”, foi ver um texto com um alto teor preconceituoso publicado num blog de esquerda, dito progressista, sem nenhuma ressalva por parte do dono do blog. Até, então, não fica muito claro para mim qual é o posicionamento  de Nassif em relação aos comentários de André, pois o comentário só foi descontextualizado e  colado num post, sem maiores explicações. O que tendo a pensar, quando vejo algo assim, é que quem publicou o post concorda com a opinião ali exposta. Caso não seja assim, então devo dizer que Nassif falhou em não explicitar as razões de publicar um post com tal teor reacionário.

Alguns equívocos contidos no texto de André

Na tentativa de demonstrar as incoerências dos comentários de André, transformados num post por Nassif, algumas pessoas, incluindo a Lola, fizeram posts para explicar como os argumentos de André são falaciosos e preconceituosos (vale ressaltar que a assertividade das respostas rendeu o título de « barraqueiras » àquelas que se manifestaram. Aliás, essa palavra é frequentemente utilizada para se referir pejorativamente a mulheres, apenas. Ou você já viu algum homem ser chamado de « barraqueiro » ? Mas divago…). Aí vão alguns argumentos levantados pela Lola (suprimi alguns trechos irônicos, já que ironia feminina pode ser poerigosamente rotulada de « barraco) :

1-      «André diz que feminazis são feministas radicais, sem definir exatamente o que seria esse radicalismo. Ele parte da dúvida “Seria Dilma uma feminazi?” (pois Dilma, numa entrevista pro Washington Post, disse que era contra o apedrejamento de mulheres). Mais adiante, nos comentários, ele diz que sim, a declaração de Dilma poderia ser interpretada como de uma feminazi, já que ela condenou apenas a morte de mulheres, não de homens. Ou seja, sempre que estivermos falando de estupro, devemos dizer que somos contra os estupros de homens também. Caso contrário, estaremos nos manifestando a favor do estupro de homens. Hum, sério, você já conheceu alguém que fosse contra o estupro de mulheres, mas não o de homens? »

2-      André não fala coisa com coisa, e isso fica ainda mais visível quando ele se atrapalha nos comentários. É incapaz de uma argumentação linear. Por exemplo, quando alguém lhe ensina que o termo feminazi foi criado em 1992 pelo ultraconservador Rush Limbaugh, André diz que só porque algo foi criado por alguém não muito bem-credenciado não significa que haja um erro, e, como exemplo, diz que, se não fossem os americanos, não haveria internet, ou que o rap não deve ser odiado por ser popular entre “a bandidagem”. Hã?

3-      O mal de André com as feminazis é que, pelo que pude entender, algumas mulheres não gostam dele e o veem como inimigo, só porque, em outro post também publicado pelo Nassif, ele defendeu o Dia do Homem, tadinho. Tipo, pra ele as profissões mais mal pagas cabem aos homens. Tsc, tsc. No grande livro que é Backlash, Susan Faludi explica justamente o contrário. Na nossa sociedade, um dos trabalhos que um homem com menor qualificação pode ter é auxiliar de pedreiro. Para a mulher, é empregada. Em geral, um auxiliar de pedreiro ganha mais que uma empregada. Um pedreiro ganha mais que uma cabeleireira. Assim como um chef ganha mais que uma cozinheira. Um estilista de moda ganha mais que uma costureira. Precisa continuar? Fazer com que certas profissões sejam identificadas apenas a um gênero (a maior parte dos psicólogos é mulher; a maior parte dos psiquiatras é homem — quem ganha mais, um psicólogo ou um psiquiatra?) é uma forma de fazer com que mulheres recebam menos que homens. Adoraria ver uma estatística que provasse que não, mulheres têm salários maiores no nosso mundo. Ha, não tem nem quando exercem a mesma função!

 

4-      Nos comentários, André especifica que feminazis são mulheres que querem o extermínio de todos os homens. Hã, talvez tais mulheres existam (eu nunca conheci, mas tem louco pra tudo), mas digamos assim, elas são representativas de alguma coisa?

Acho este último trecho importante, pois o equívoco de André (e de todos aqueles que se dizem contra o feminismo), a meu ver, nasce de uma ignorância em relação ao feminismo. Elas costumam pensar que as feministas odeiam os homens, que são contra os homens e querem destruí-los ou que o feminismo é um machismo ao contrário quando, na verdade, o feminismo só prega a igualdade de direitos. Ser a favor do direito das mulheres não significa ser contra o direito dos homens, certo ?

O equívoco do termo “feminazi”

Bom, voltando à “vaca fria”, por que o termo feminazi gerou tanta indignação ? Porque ele reflete ignorância (pra dizer o mínimo) por parte de quem o usa. É um termo que encontra respaldo apenas no preconceito. A Cynthia Semíramis explicou isso de forma bem didática num post. Reproduzo algumas explicações :

1-      Feminazi é um termo que mostra completa ignorância a respeito não só de feminismo e luta pelos direitos das mulheres, mas de conhecimentos básicos de história. Feministas foram perseguidas pelos nazistas, que tinham uma visão extremamente limitada: mulheres deveriam obrigatoriamente ser mães, portanto estudos superiores e creches foram limitados, e aborto e métodos contraceptivos foram proibidos. O discurso feminista de emancipação das mulheres foi atribuído aos judeus, aumentando os motivos para persegui-los. A política nazista é anti-feminista, como bem demonstrou Kate Millett.

 

2-      Em suma: feminazi é um termo que denota ignorância ou má-fé de quem o profere, pois vai contra tudo o que se sabe sobre nazismo e sobre feminismo. Feminazi é um termo que só é utilizado por conservadores para tentar desqualificar quem luta pela implementação dos direitos das mulheres.

 

O receio da Cynthia (e o meu também) é que o termo comece a ser usado a torto e a direito pela mídia, sem que se atente para o fato de que, no fim das contas, trata-se de uma manipulação conservadora ou, no mínimo, de uma ignorância histórica.

 

O perigoso conservadorismo da esquerda nas discussões de gênero

Na verdade, o que me assutou (e me deixou bem triste), foi ver um termo com alta carga de pereconceito ser utilizado num blog progressista sem nenhuma ressalva. Na verdade, pra mim, isso só legitima o pensamento conservador, a partir do momento em que o próprio Nassif não faz questão nenhuma de diferenciar sua voz da voz da direita. Reproduzo alguns argumentos da Marília Moschkivich, qua aborda não só a attitude do Nassif, mas tantas outras de pessoas que se autointitulam e são intituladas como « progressistas » [grifos da autora]:

1-      A reflexão que quero fazer aqui é de um buraco mais embaixo: o machismo da esquerda, dos progressistas, dos revolucionários. Bem, que um conservador do PP, do PSDB, etc. exiba por aí seu machismo, é esperado. Afinal de contas, em momento nenhum eles pregam a igualdade, a justiça social, etc. O problema maior é quando todos aqueles que se dizem em busca de “um mundo melhor” ou do tal “outro mundo possível” (pra relembrar o mote dos fóruns sociais mundiais) esquecem-se de que as mulheres estão incluídas nessa “justiça”, “igualdade” e “sustentabilidade”.

 

2-      Historicamente entre os partidos comunistas, as questões das mulheres são colocadas em segundo plano, como se a mudança no modo de produção fosse automaticamente instaurar a igualdade de gênero. Como se a classe trabalhadora não tivesse práticas machistas ela mesma – como se tudo fosse uma consequência do capitalismo. Não é. A “causa das mulheres” (mais creches, ou licença maternidade, salários iguais, etc) é considerada secundária e as nós feministas somos consideradas divisionistas, o que representaria um problema na revolução.

 

3-      A esquerda é cheinha de indícios deste tipo de pensamento, a começar pelo fato de que seus partidos não fazem esforço ALGUM para eleger igualitariamente mulheres e homens e têm muito poucas mulheres em diretorias e cargos de poder. Isso sem falar em práticas ainda mais chocantes de militantes, como no PCO pedirem às militantes que usem seu poder de sedução para trazer novos membros e filiados aos partidos. Juro, história real, de uma amiga. Aconteceu mesmo.

 

4-      Ou seja: o discurso é lindo! Revolução, socialismo, comunismo, ecovilas, sustentabilidade ambiental, economia solidária, redes, UHU! Mas quando vamos falar em abolir práticas machistas, opressoras, de dominação, somos comparadas a nazistas. Somos chamadas de chatas e loucas por insistir tanto nesse assunto, como se as mulheres tivessem salários iguais, acedessem a posições iguais no mercado de trabalho, tivessem o mesmo apoio que os homens têm das famílias em suas empreitadas individuais, etc.

Na verdade, a intenção aqui não é de “pichar o Nassif”, mas de pegar o caso como um exemplo ilustrativo de como vários equívocos em relação ao feminismo são simplesmente disseminados por aí. Nossa preocupação é ver isso ocorrendo, inclusive, em meios progressistas, em que acreditamos (ou acreditávamos) ser possível um debate lúcido sobre a igualdade de gêneros. Porque, se um comentário preconceituoso sobre as feministas pode ser publicado, temos direito de resposta. Ou não ?

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Violência contra a mulher (2): violência gratuita

O texto abaixo, reproduzido do blog http://www.in-vestindo.com, mostra como a violência pode ocorrer por motivos não-passionais e ser gratuita mesmo. Minha opinião? Criminalizar um animal desses, óbvio. E também o dono do bar, por não ter prestado socorro e zelado pela sugurança do estabelecimento. Deve, no mínimo, ter seu bar fechado.

Aonde vamos parar?

Ontem cheguei em casa as 4 horas da manhã me perguntando: onde nós vamos parar?

Explico.

Eis os fatos: Fomos eu e mais duas amigas ao Vecchio Giorgio, um barzinho aqui em Floripa que fica na Lagoa da Conceição. Jantamos e subimos para o segundo andar, onde estava tocando uma banda de samba rock. O ambiente estava superlotado, insuportável. Decidimos que iríamos embora, e ainda não passava da 1 da manhã. De repente um rapaz começou a nos empurrar. Uma menina foi pedir para ele parar e ele imediatamente começou a agredi-la. Minha amiga foi separar e ele deu um soco em sua testa. Afundou a testa no mesmo momento. Algumas pessoas foram segurá-lo e ele começou a jogar garrafas nas pessoas. Uma outra menina foi atingida e levou sete pontos.

Questões importantes a serem consideradas:

1- Ninguém conhecia o rapaz. Ele saiu agredindo gratuitamente. Depois voltou  dançar como se nada houvesse acontecido;

2 – O segurança do Vecchio só apareceu depois, quando eu fui chamá-lo e levá-lo ao agressor;

3 – Perceberam que eu falei no singular? É que no Vecchio há apenas UM segurança;

4 – Os funcionários do bar em nenhum momento prestaram auxílio às vítimas. O proprietário do bar em momento nenhum subiu ao segundo andar para ver como estavam as vítimas;

5 – O segurança carregou o agressor e o levou para o andar de baixo, querendo liberá-lo. Como o pessoal do térreo não sabia o que estava acontecendo, tive que me colocar na frente do segurança e começar a gritar para impedir que o agressor fosse liberado;

6 – O proprietário do bar, que como eu disse, em momento nenhum foi verificar a situação das vítimas e não chamou a ambulância, mandou-me calar a boca, porque eu estava exagerando e fazendo tempestade num copo de água (palavras suas);

7 – O agressor ria e debochava da minha cara o tempo todo, dizendo que também me bateria;

8 – Dois meninos conseguiram trazer minha amiga para baixo e um policial civil presente impediu que o dono do bar e seu único segurança liberassem o criminoso. Fomos tentar sair com ela para levar ao hospital (lembrando que ela estava com a testa afundada), mas o dono do bar nos impediu de sair porque não havíamos pago as comandas;

9- Voltei ao caixa, paguei as comandas e saí com a minha amiga (precisavam ver a cara de alívio do dono do bar, que em momento algum ofereceu ajuda, só nos mandou parar de fazer escândalo desnecessário);

10 – Fomos ao hospital, minha amiga tevea testa afundada, um osso do crânio fraturado. Em momento algum apareceu alguém do bar para prestar assistência;

11 – Foi identificado o agressor, Lucas Felicíssimo, natural de Belo Horizonte, estudante da oitava fase de Medicina da UFSC. Dizem que chegou na Delegacia parecendo outra pessoa, aquele sorriso debochado fez-se lágrimas de crocodilo, acompanhados do velho jargão ‘sou inocente’. Quem viu disse que chegava a ser comovente tão brilhante atuação;

12 – O agressor, já acompanhado de advogados, foi liberado. Muitos dos presentes sentiram-se com medo de divulgar seu nome e ser ameaçado de crime de calúnia e difamação;

13 – Lucas Felicíssimo, não tenho medo da verdade. Você deve ter, eu não. Dezenas de pessoas te viram agredindo mulheres, quebrando a cabeça da minha amiga. Não tenho medo de você, seu covarde.

14 – Negligene ou conivente? Qual o adjetivo que melhor se coaduna com o proprietário do bar? E a omissão de socorro? E a falta de humanidade? Seu único interesse foi o de manter a imagem do seu bar, o tempo todo. E a falta de seguranças? E se ele tivesse uma arma? Teria nos matado a todos porque não há nenhuma espécie de controle na entrada. Ah, hoje fiquei sabendo que uma briga muito parecida ocorreu lá no Vecchio no feriado (nem isso levou o dono do bar a contratar mais seguranças);

15 – E o bandido, que em breves tempos será médico? Que tipo de médico é esse, que ao invés de salvar vidas manda duas mulheres que sequer conhecia, sem motivo, para o hospital?

As perguntas permanecem irrespondidas. Espero que a nossa Justiça possa responder algumas delas. Que mundo é esse? Onde vamos parar? Ah, o bandido e o dono do bar a essas alturas devem estar na praia; minha amiga está em casa aguardando uma cirurgia na cabeça.

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Gente folgada

Eu odeio muito gente folgada, sério mesmo. Um dos filhos da dona da casa onde moro voltou do internato pra casa. Ele não tem um pingo de bom senso sequer, sério mesmo.

Ele fuma, ouve som alto até tarde e acorda às 6h da manhã, com o rádio-relógio, pra ir pra aula, mas continua ouvindo a música com a qual desperta. Adivinha onde fica o meu quarto? Bem ao lado do dele, é claro. Daí tô um bagaço, porque tem 2 noites que eu basicamente n durmo.

Hoje descobri que tem um quarto no porão e estou considerando seriamente a possibilidade de me mudar pra ele, apesar de ser mais úmido e frio que o meu atual quarto. Mas, sinceramente, não é legal acordar devido à falta de bom senso alheia. Menos legal ainda é ouvir as brigas diárias dos dois.

Primeiro, pensei na possibilidade de conversar com ele e tentar estabelecer regras. Mas uma das coisas mais importantes que aprendi ultimamente, foi a conversar apenas com quem pode minimamente me ouvir. Porque tipo: eu tentaria estabelecer regras, ele não obedeceria, eu me estressaria, brigaria com ele e ele continuaria lá, ouvindo “I gotta feeling” no último volume 15 vezes (ah, sim, descobri o verdadeiro sentido de “cultura de massa” quando ouvi as músicas dele, que são exatamente as mesmas que a maioria dos meus alunos escutava).

Vocês devem estar pensando: “Ai, lá vem a Maíra com o seu radicalismo!” Mas sabe porque tenho quase certeza absoluta do que digo? Porque a primeira regra estabelecida foi: fumar apenas fora da casa. Ontem à note, o que eu encontro logo que subo pro sótão? O que encontro no baheiro? O que  encontro no chão do quarto dele? ADIVNHA! Ontem cheguei aqui e tava a dona da casa com a maior cara de choro porque o fdp do menino, no primeiro dia de aula fora do internato, não tinha chegado em casa até 8 da noite (ele sai às 5). Deu pra sacar cumé q ele é? Daí vou propor de dormir no sótão.  Se a dona precisar do quarto algum dia, eu durmo no “meu”. Tomara que ela aceite…

Mas fico pensando: o que faz com que uma pessoa simplesmente ignore a existência de todas as demais? Porque ele não faz as coisas “pra aparecer”, pra encher o saco ou nada disso: ele simplesmente faz o que lhe dá vontade, não importa o quanto isso incomode ou chateie o outro, pois o outro simplesmente não existe. E, se chega a existir, pouco importa. Acho que mais do que odiar muito gente folgada, odeio mais ainda gente egoísta.

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Aluguel de quarto em Genebra- DICAS IMPORTANTES

Bom, pessoal, não dei notícias antes porque fui vítima de um anúncio falso de aluguel de quarto [e quase fui vítima uma segunda vez, antes dessa] e fiquei morando provisoriamente no albergue. Ontem à tarde, vim para a casa de uma brasileira, Marina, que vive na Suíça há mais de 20 anos e é amiga de uma prima da minha mãe. Fui muito bem acolhida por ela e sua família! Hoje, fui prestar queixa na polícia e fiquei impressionada com a educação e prestatividade dos policiais, que imprimiram todos os meus documentos, ouviram minha história e registraram minha queixa com muita atenção. Confesso que me assustei, pois encontrei o posto policial vazio, contei com a paciência dos policiais para me compreender em francês e não fui encaminhada para 500 setores diferentes (como ocorreu no Brasil quando fui prestar queixa contra agressão -que é o assunto que trataria no post sobre o feminismo, mas fica pra outro post).

Ficam, então, dicas para quem for alugar um quarto em Genebra (ou outro país) pela internet:

1- Sempre peça um número de telefone local, pois, segundo o policial, a grande maioria dos anúncios falsos são postados por africanos que roubam passaportes de europeus. Não sei se isso é verdade, mas dificilmente a pessoa será do país de procedência do passaporte utilizado na transação.  Não caia no conto do vigário de que a pessoa está de férias ou está trabalhando em outro país, pois se o dinheiro for enviado para um país que não seja o que voc~e irá morar, fica muito mais difícil recuperar o dinheiro.

2- Nunca transfira dinheiro pela Western Union, pois é impossível rastrear a pessoa depois, uma vez que, para transferir o dinheiro pela WU é necessário que sejam fornecidos apenas nome e endereço do titular do passaporte e, pelo visto, não é necessário mostrar nenhum comprovante de residência para retirar o dinheiro.

3- Se for transferir o dinheiro para uma conta bancária, exija sempre que ela seja em nome do titular do contrato do apartamento, que deve ser a mesma pessoa com quem você mantém contato, pois assim fica fácil comprovar para quem o dinheiro foi transferido e se a pessoa existe de fato.

4- Exija sempre o contrato de locação assinado e enviado pelo correio. Não assine o contrato antes de recebê-lo assinado, mesmo se a pessoa insistir muito. É melhor receber e enviar o contrato via SEDEX do que enviar sua cópia de passaporte e sua assinatura digitalizada, pois o ladrão pode usar seus dados para roubar outra pessoa.

5- Exija que a pessoa envie uma cópia do documento de identificação e confira se os dados do passaporte batem com os dados que constam no contrato [foi assim que descobri a primeira fraude].

6- Confira o endereço no Google Maps ou peça a alguém da cidade para conferir pessoalmente se o endereço existe. Não caia no conto do vigário de que o Google Maps não identifica o endereço, pois as ruas aqui da Europa costumam ser muito bem mapeadas e têm até foto.

CUIDADO! O ladrão se mostrará, em geral, uma pessoa super amigável e fará de tudo para demonstrar intimidade e confiança. Não confie numa pessoa “gente fina” e não ceda à pressão do “resolva logo porque tem gente na fila”. Genebra é uma cidade lotada, mas há, sim, quartos. Já encontrei um monte de anúncios de quartos no site da universidade, nos petites annonces e no anabis, sites locais e mais confiáveis porque fornecem sempre o número de telefone de quem está alugando, aí basta telefonar.

As dicas não estão numa ordem muito lógica, mas se você segui-las (não necessariamente na ordem), terá bem menos chance de perder dinheiro…

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Horário político

Bem, lembra que eu comentei sobre aquilo de qualquer um poder se candidatar? Pois é, eis algumas pérolas pra vocês se divertirem!

Melhores frases:

Esper: “Quero agulhar os políticos para mudar Brasília por vocês!” (Faltou a mãozinha do ‘hã, hã, sacaram?!’)

Marcelinho Carioca: “Todo mundo já meu viu jogando. Agora quero jogar no mesmo time que vocês. Quem vem comigo?” (Hm… Como candidato, você é um excelente jogador de futebol!)

Maguilla: “Minha luta agora é em Brasília por nossas crianças contra as drogas” (Maguilla!!! Você ainda existe, sério?!)

Mulher Pêra (COMOASSIM?!?!?!?!): O melhor é o beijinho jogado no fim…

Luciano Enéas: “Meu nome é Luciano Eneas, 56!” (Pô, tava com saudade do Enéas!!! Ninguém é mais engraçado do que ele no horário político. O substituto cumpriu bem o papel!)

Luciana: “Meu nome é LU-CI-A-NA, 2250”. (Essa cumpriu melhor ainda o papel de substituta! Tem até o “Beethoven do Apocalipse” no fundo! E ela GRITA o nome dela.)

Tiririca: Impossível escolher uma frase. Todas são pífias. E seria trágico se não fosse cômico (ou, vice-versa, não sei) ele dizer: “Vote no Tiririca. Pior do que tá não fica. (Pior que fica, né?)

Mara Maravilha: “Política abençoada começa em casa” (Não precisa continuar, né? Ah, mas não é ela a candidata!!! É o MARIDO, que não abre a boca)

Kiko do KLB: Definitivamente, o que mais me arrancou risadas. Não precisa nem falar nada pra eu rir MUITO alto!! E ainda tem aquele irmão vesgo dele de “figurante”.

Raul Gil Jr: Ele parece um daqueles pôsteres de papelão pq não se mexe enquanto o Raul Gil canta a “musiquinha da vergonha alheia”. Mas o slogan “JUVENTUDE e hosnestidade” não colou pra um cara barbudo de uns 40 anos, Raul pai. Ah, esqueci que “juventude” é uma questão de parâmetro…

Eli Corrêa Filho: Quem?! Esse “Ooooooooi, gente!” dele não me é estranho. Mas…

PS: Mais tarde ou amanhã, comento sobre o debate UOL/Folha (finalmente os candidatos mostraram a cara!)

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