Archive for Aleatórios

Tá chegando!

Dei uma sumida, né? Estou arrumando as malas, fechando artigos e organizando detalhes da minha viagem. Faltam apenas três dias pra embarcar (engraçado ainda chamar assim, já que quase ninguém mais viaja de barco, mas enfim… Fecha parênteses pra divagação!) pra Genebra! Se tiver um tempinho sexta, eu posto, mas tô achando difícil… É provável que vocês já tenham notícias da minha “vida de imigrante”. Torçam pra que tudo dê certo!!!

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O sonho de morar fora

É engraçado o que acontece quando um grande sonho se aproxima, né? Diferentemente das menininhas da minha idade, desde muito pequenininha, em vez de querer casamento e filhos, sempre tive muita vontade de morar em outro país e falar outras línguas. Lembro que queria conhecer Paris, por conta de histórias que meu avô inventava, do tipo: “Quando estive em Paris (todas começavam assim, haha), atravessando o rio Sena de jacaré…” E por aí ia… A vontade de conhecer a Europa sempre me fascinou. Aos 13, meu pai ganhou um concurso de cozinha e foi representar o Brasil na França (massa, né? O cara é fera…). Levou minha mãe como ajudante (Eles ficavam treinando no restaurante do meu pai na época…). Eu lembro que implorei pra minha mãe pra me deixar ir no lugar dela. Numa casa em que a renda é apertada, não tinha muito essa de viajar pra fora. E como as passagens de avião não tinham preços tão acessíveis quanto agora, viajar para o exterior era algo muuuito distante na minha cabeça. Então, esta era a oportunidade mais palpável que vi de conhecer Paris. Depois de dias de encheção de saco, minha mãe rebateu meu pedido insistente com um argumento justo: “Tenho 41 anos e nunca viajei pra fora do Brasil. Você tem 13 anos, ainda tem muito tempo pra viajar”.

Aos 14, via as minhas colegas de sala planejando a ida para a Disney, Miami aos 15. E eu, no auge do meu comunismo, pensava: “Disney?! ECA! Paisagem mais artificial do mundo! Americanos?! Uns toscos que fodem o mundo! (Quem me conheceu aos 14, 15 consegue imaginar todo o radicalismo!) Mal sabia eu que, no mesmo ano, ganharia uma viagem aos Estados Unidos… Na minha escola de inglês (Já contei que implorei pra minha mãe pra fazer inglês aos 10 anos?), o melhor aluno ganhava uma viagem pros EUA ou Inglaterra. Desde que entrei na escola, ficava em segundo lugar todos os anos, beirando o prêmio. Era meu penúltimo ano lá (era aquela época que os cursos de inglês duravam 6, 7  anos) e disse pra mim mesma: “Tenho que ganhar este ano! Não posso sair daqui sem ganhar!” Quando me avisaram que ganhei, era pra ser segredo. Mas é óbvio que o meu pai “língua grande” me ligou na hora. Eu estava viajando de férias com minha mãe e meu irmão. Até hoje eu lembro da sensação imensa de felicidade que senti. Depois, a preocupação era: “Pra onde que eu vou?” Conheci uma menina que ganhou e foi pra Disney. Eu só lembrava do quarto dela cheio de Mickeys e Patetas de pelúcia, e aquilo já me dava pavor. Descobri que havia a chance de ir pra Inglaterra e rezava todos os dias pra me mandarem pra lá. Mas isso era pros maiores de 16. Acabei indo pra San Diego. Tinha lido aquele livro “Depois daquela viagem” e a Valéria Polizzi relata o tempo em que viveu na cidade. Fiquei curiosa pra conhecer e me pareceu um lugar bacana… Foi, de longe, minha melhor experiência de viagem, pois morei numa casa de família por um mês e fiz um curso de inglês. Tive, então, a oportunidade de conhecer uma outra cultura e um outro modo de vida. E descobri que os americanos são “gente como a gente”, I mean, povo é povo em qualquer lugar do mundo, embora nos EUA sejam bastante paranoicos (parece que a ‘cultura do medo’, narrada brilhantemente por Michael Moore em ‘Tiros em Columbine’ realmente funciona por lá) e não tenham quase nenhum senso de como as coisas funcionam num outro país (os absurdos sobre o Brasil, por exemplo, variam em grau: desde achar que aqui se fala espanhol até achar que há macacos soltos pela rua. E constatei essa falta de noção em relação a outros países também). Mas percebi que os americanos, assim como qualquer povo, são alienados. Eles não ficam sentados em suas cadeiras pensando em como f*der o resto do mundo: este é, pelo visto, um privilégio de alguns de seus governantes, mas vi de perto que não dá pra generalizar, sabe? Vi também que não são só os EUA que são perversos, mas o Brasil que dizia “Amém” a toda e qualquer ação dos EUA (agora em proporções cada vez menores, ainda bem!).

Enfim: agora irei para o Velho Mundo!! Realizarei meu sonho antigo de ir morar por um tempo num país  europeu. Me entendam, por favor: eu não tenho a ilusão de que a Europa é melhor do que o Brasil. Tenho noção de que algumas coisas funcionam melhor sim, por eles viverem num Estado de bem-estar social há muito mais tempo do que a gente (no nosso caso, considero que são apenas 8 anos e que isso ainda ocorre de forma um pouco tímida em vista do que poderia ser). Mas não tenho aquela mentalidade de colonizado de que “o Brasil é uma b*sta”. Acho, inclusive, que com os avanços econômicos atuais, que permitiram que o Brasil seja visto como um país em que se pode investir (lembra de que a pior crise da história foi uma “marolinha” por aqui?) e que promoveu um crise na Europa, se refletem em avanços por aqui em diversas áreas, enquanto a Europa está em decadência, na minha opinião, mesmo antes da crise. Outra coisa: não acho que eu, latino-americana, serei bem tratada  na Suíça, um país rico e tradicionalmente xenófobo. Aqui no Brasil não há muito preconceito contra gringo (ao contrário: se for europeu ou americano, é super bem tratado). Vejo o preconceito daqui como algo mais interno mesmo: você mudar de calçada quando vê um negro, você ser contra leis de legalização do aborto, você ser contra o casamento gay, quando você chama uma mulher de barbeira no trânsito… E isso quando pegamos leve (farei um post sobre “o preconceito nosso de cada dia”). Não vou nem comentar quando esse preconceito atinge as esferas legais de nosso país. Pois bem, voltando à vaca fria: o que me atrai na Europa é, sem dúvida, a tradição de milhares de anos de cultura. Quero muito mergulhar numa cultura diferente da minha (meu próximo passo é a África), ver como é pensar numa escala de valores diferente da que estou acostumada, estudar co professores e alunos de outros países e conhecer, por esses olhos diferentes dos meus, outras maneiras de ver o mundo às quais eu não teria acesso pelos meus próprios olhos. Estou muito, muito animada com a possibilidade de ampliar o “meu quintal”. Aliás, termino o post com trechos do poema ‘Tabacaria’, um dos meus favoritos de Fernando Pessoa:

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(…)

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),

(…)

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…

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A anti-Garota Anglo

Na minha época de adolescente, quando perguntavam “Maíra, que Maíra?”, a resposta variava entre: “Aquela esquisita” ou “Aquela nerd” ou uma combinação dos dois. Eu me enquadrava bem no estereótipo da nerd (ou CDF, que era como chamavam os nerds quando eu era mais nova): estudiosa, politicamente correta e sem nenhuma vaidade. Era engraçado porque, apesar de não me enquadrar em nenhum grupo da minha sala (nem no dos nerds), eu sempre fui representante da turma. Mas sempre fui vítima de bullyings, desde que me lembro de minha existência na escola (que começou quando eu tinha 1 ano), aos três, quatro anos.

Pois bem: na minha escola de Ensino Médio, uma dessas escolas da rede particular, tinha todos os anos um concurso de… beleza. Sim, acredite se quiser: não era um concurso de notas ou uma feira de ciências. E a vencedora (é óbvio que, numa escola que tinha uma coisa desses, o concurso era um concurso só pra mulheres) ganhava, entre brindes de lojas, viagem, etc, uma bolsa de estudos de um ano!! (Eu tinha acabado de ganhar uma viagem para os Estados Unidos pelas notas que obtive na minha escola de inglês e o que consegui no colégio foi uma bolsa parcial, pra você ter noção da inversão de valores). Eu sofria agressões praticamente todos os dias na escola. Não digo agressão física, mas de todos os “excessos de brincadeira” possíveis que tinham o intuito de me ofender. Às vezes eu relevava, às vezes eu ria, mas na maioria das vezes ficava com um puta nó na garganta.

Como a criatividade para as ofensas não tinha limites, o pessoal da sala resolveu fazer um complô no dia de escolher a participante do concurso e combinaram que todos votariam em mim. Para espanto geral da organizadora do concurso e da direção da escola, eu, provavelmente a menina mais sem vaidade da minha sala, baixinha, gordinha (acho que nessa época ainda era gordinha) e de óculos fui maldosamente escolhida pra representar Garota Bonita da sala. As pessoas fizeram isso claramente pra ofender a nerd da sala. Mas se surpreenderam quando eu, a “feminista chata” e nada vaidosa aceitei o convite.

Lógico que minha primeira reação à votação foi de rir muito (apesar de ter sacado a maldade geral da coisa) e recusar. Só que no outro dia, cheguei na sala e ela estava lotada de papéis ( e uns cartazes bem engraçados) de “Maíra Garota Anglo” e a notícia rapidamente se espalhou pela escola. A reação das pessoas com um pouquinho de cérebro (incluindo a maioria dos meus professores) foi: “Fiquei sabendo que você foi eleita pro concurso. Que massa ter alguém como você lá! Vou torcer pra você!” Foi aí que vi que, na verdade, eu poderia representar a voz de todas as “alunas de verdade” da escola (que foi a essência do meu “discurso de miss”, que ficava embaixo de uma foto em que, por sorte, saí completamente vesga por conta do meu estrabismo. Pena que não tenho salvo pra colar aqui!) e botar fogo no barco, já que nunca me interessei minimamente em minha vida em me promover pela imagem  física de nenhuma forma. A direção da escola me chamou e me alertou para “o risco que eu estava correndo” de ser vaiada e execrada pela minha turma e pelas pessoas da escola. Eu disse que estava ciente do risco, mas que queria corrê-lo mesmo assim, pois gostaria de representar a  voz daquelas(es) que discordavam de um concurso de beleza na escola. Vi que tinha uma preocupação por parte dos diretores, mas que tinha também um desespero de abafar a polêmica que a minha participação tinha gerado na escola.

No fim das contas, o pessoal da minha sala criou uma rede de solidariedade e torcida por mim. O único prêmio que ganhei nisso tudo foi o de melhor torcida (o pessoal fez camisa, soltou foguete quando entrei no “desfile”, fez musiquinha de torcida, sem contar que havia pelo menos três professores no meio da galera). Tá certo que ganhava um caixa de cerveja (que rendeu a “Festa da Maíra: a (quase) Garota Anglo”. Genial, o título, diz aí!). Mentira, teve um prêmio mais legal: conseguimos acabar com o concurso de beleza!!!! Depois da minha fatídica participação –de de toda a polêmica que fiz questão de criar em torno do concurso e de toda a briga que o segmento de pessoas que se sentia oprimido na escola comprou –o concurso acabou. Quer dizer, teve mais uma edição (em que a galera da sala quis votar em mim de novo, mas dessa vez teve pré-seleção, pra evitar a “desgraça”), mas foi um fracasso de público. Sei que isso não se deve só à minha participação no concurso (essas coisas cansam depois de algumas edições, né?), mas considero que a minha participação no concurso (e toda a polêmica que isso gerou) foi decisiva pro fracasso do evento.

E sabe qual foi o melhor prêmio de todos? A reconciliação entre mim e meus colegas de sala, que passaram a demonstrar um respeito muito bacana por mim. Reconheço que, depois da torcida de solidariedade, eu também fiquei um tiquinho menos radical ao discordar das pessoas. E o mais legal disso tudo é pensar que não foi a minha beleza (ou a falta dela) que pautaram qualquer um dos prêmios: foi a força de enfrentar uma situação como essas, que só o meu feminismo pôde me proporcionar!

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Feminismo

A Lola, dona de um blog que é atualmente o meu favorito (http://escrevalolaescreva.blogspot.com/) , abriu um concurso: “A origem do meu feminismo”. Criei coragem para participar, mas fiquei matutando sobre a questão e acho que sou feminista desde sempre. Nasci numa família muito pouco convencional e minha mãe sempre foi – ao menos desde que me entendo por gente –feminista roxa. Resolvi, então, escolher dois  episódios representativos do meu feminismo. Como o post ficou enorme (ele é o próximo), resolvi escrever sobre ua única história (sobre a outra eu escrevo num outro post). É isso aí, galera, votem em mim! (http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2010/08/concurso-de-blogueiras-inscricoes.html)

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“Ele a achava tão digna & superior, ela o achava tão elegante & respeitador. E pensavam: isto é uma historinha de férias, não leva a nada”. O Caio Fernando Abreu fake do meu twitter é realmente sábio…

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Estou cansada muito além do normal. Estou fazendo 3 disciplinas do doutorado e voltei a ter minhas clássicas 20 aulas pra dar por semana. Além disso, ainda inventei de fazer um curso de estatística para linguistas (agora sem trema, aff!). Preciso juntar dinheiro para o segundo semestre de doutorado. Sendo assim, ainda tenho que fazer serviços extras do tipo: dar oficinas de texto no Serviço Social, dar um curso de capacitação numa escola pública (ainda não me deram a resposta definitiva. fingers crossed!), abrir uma mini-empresa de consultoria em língua portuguesa com mais dois amigos. E ainda tem as atividades de pesquisa: escrever dois artigos a quatro mãos, co-orientar um projeto de IC, organizar a reunião de estudo com meu orientador, ir às reuniões de estudo do CEFET. Alguém me arruma um clone ou um dia de 48h?!

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Término do horário de verão + 2 dias seguidos de cerveja = insônia brutal

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