Caminhão de luto

Custei a levantar da cama

mas é que fui atropelada

pelo caminhão de luto

 

Mando a cabeça

calar a boca

mas ela não obedece

 

Quero que o corpo

faça festa

mas ele se recusa

 

Suplico, então, pra a mágoa ir embora

mas ela se aloja

nas galerias profundas da garganta

 

E a dor lancinante

decide habitar, sem aviso prévio,

a boca do estômago sensível

 

E a gente tenta contornar

as bordas da dor

com a palavra

 

E ela fica ali dançando,

se equilibrando

na beirinha do abismo

 

Pois é, viver é um perigo

daí despejo palavras

no buraco negro da falta

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