Archive for dezembro, 2015

Seca

É o peito que desafina

Sem métrica nem rima

E dói

Na vitrola o disco arranha:

“Nunca mais serei amada”

Encontros desencontrados

Como ondas no rasinho

Chegam muito perto

Lambem os pés, às vezes

Mas logo se vão

Esturricando na areia

Deliro

Entre possibilidades e promessas

Tenho sede na aridez inóspita

Implacável

Gotas de suor ostensivamente arrancadas

Imploro

O choro se desmancha instantaneamente

Na secura afetiva dos dias

Vertigem

De tanto não ser enxergada

Desapareço

(E ninguém nem nota)

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