Archive for junho, 2015

Pot-pourri

[Pra ler ouvindo:]

A vontade que dá é de roçar a minha língua quente e úmida na sua. Aquele beijo longo, demorado, molhado, suado. De pilotar seu tórax, arranhar de leve seu peito e ouvir sua respiração profunda quando dorme. Mal sabe você que eu tenho esse superpoder, de te ouvir, de te observar e de continuar aquela conversa que não terminamos ontem, ainda que mentalmente. E bate uma querência, uma vontade danada de sentir e de cheirar e de chupar esse seu gosto. Aí tem essa mania. De rolar, rolar, rolar com você, de dançar coladinho sem roupa em slow motion. E eu fico que nem adolescente, fazendo playlists e ouvindo baladinhas em loop infinito. Vida, vida, noves fora, zero: o que resta é esse devir multissensorial, essa vontade de cantar baixinho no seu ouvido as novas músicas que selecionei. Restam também essas reminiscências de você; do encaixe perfeito do seu corpo quando penetra o meu; do seu calor colorido que me dá taquicardia, que nem quando faço samba e amor até mais tarde. Olha só: já temos uma música só nossa, mas que só eu sei. E aí vem a angústia risonha dessa paixãozinha platônica, que nem quando eu tinha 15 anos. E você se torna esse príncipe-donjuan-do-cavalo-branco, tão miseravelmente humano e falho, enquanto eu torno de um lado pro outro da cama, não sei se preguiçosa ou se covarde, doida pra gente se entornar, se transbordar, e se amar como se não houvesse amanhã. Conto as horas pra poder te ver, mas o relógio tá de mal comigo. Bobo, bola, balão, são-joão: a gente se ilude, dizendo “já não há mais coração”. Não só farejo, como quase tateio esse gosto danado de te querer mais. Estranho seria se eu não me apaixonasse por você.

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