Archive for maio, 2015

Esclarecimentos sobre ser anticasamento e antifilhos

Bom, vamos aproveitar que hoje eu estou paciente e postar algumas coisas a título de esclarecimento de um post do Facebook em que disse ser anticasamento e filhos num post de homenagem a uma amiga que pensa como eu:

1. Quado eu digo que sou/era anticasamento, não significa que eu não goste ou queira relações estáveis na minha vida. Gosto de rotina, de saber se o outro gosta do pão branco ou torradinho, de observar as manias e de criar intimidade. Amo intimidade. É ela que nos permite coisas maravilhosas, desde ouvir com atenção o mundo do outro até fazê-lo gozar com mais qualidade. Mas sou questionadora (agora com mais propriedade), de um determinado modelo tradicional de casamento. Em resumo, é aquele lance: nunca me vi vestida de branco, mas choro em casamento de igreja. No de pessoas queridas, copiosamente.

Contraponto: tem gente que, ao contrário de mim, não gosta de se envolver em relacionamentos. Pergunto: qual é o problema? Pra mim, zero. Sou muito mais uma pessoa honesta consigo e com xs demais do que alguém que tenta, desesperadamente, se encaixar num modelo em que claramente a pessoa não cabe.

2. Quando eu digo que nunca quis ter filhos, não siginifica:

a) Que eu odeie crianças. Ao contrário: não posso ver umx tchuquinhx que fico louca: brinco, aperto, converso… Tô cheia de amigas parindo tchuquinhxs e fico aqui delirando. Inclusive, adoro conversar sobre a criação de crianças, sobre criar seres questionadorxs e etc. Acho que, se tivesse ido à frente com a psicanálise, teria um consutório de infantil.

b) Que eu não considere a ideia de ter filhxs. Às vezes eu penso (com frequência, até), daqui a uns 10 anos, em adotar uma criança maiorzinha, daquelas que “ninguém quer mais”, sabe? Porque TER FILHOS É DIFERENTE DE GERAR UM FILHO. Eu me lembro que, desde pequena, eu tinha pavor de me imaginar grávida. Tinha pavor de imaginar minha barriga crescendo com “um neném mexendo dentro”. Ter um ser me parasitando, ficar louca com hormônios, perder inúmeras noites de sono… é só pras fortes, viu? E no mais, não faço questão de espalhar meus genes por aí e nem de trazer mais alguém pra esse mundo cruel e superpopuloso.

c) Na verdade, esta é uma questão muito controversa pra mim. Porque a única coisa que eu sei que não dá pra desistir é filhx. Você pode desistir do emprego, da casa, dos amigos, até mesmo da família. Mas de filhx você não desiste. E, sinceramente, acredito que a relação mãe-filho é cheia de construções e adaptações. Não tem essa de “amor incondicional à primeira vista”. Tem muito amor sim, mas também vontade de sair correndo, de ter seu tempo só pra você, de não se preocupar constantemente com outra criatura, de não ter uma fonte constante de gastos e etc. E isso tudo me apavora por demais. Por enquanto, a vibe “tia” me agrada muito mais.

 Contraponto: tem gente que simplesmente não gosta de criança, não tem paciência. E qual o problema? Zero, né? O problema é quando essas pessoas ligam o “piloto automático da vida” e têm filhx. Aí a tendência é a coisa ser bem desastrosa.

Resumão da ópera: pode ser que eu me case de novo? Pode. Pode ser que eu gere um filho? Pode. Porque a vida é muito mais circunstancial e maluca do que a gente imagina. Mas vejo zero problemas em ser honesta comigo e com xs demais em assumir uma postura de questionar escolhas que fazem parte do “piloto automático da vida”. Sempre serei uma pessoa de opinões convictas e apaixonadas. Mas também sempre essa pessoa aberta ao fluxo da vida. Porque “um lance de dados jamais abolirá o acaso” 😉

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