Consenso & consentimento

Consenso e consentimento são palavras-chave pra mim em termos de relacionamento. “Nossa, só você mesmo pra pensar/agir assim!” é uma frase que ouço recorrentemente, quase que em tom de acusação. Bom, existe um mundo em que pessoas terminam relacionamentos e gritam, se sentem magoadas, não querem mais se ver e tudo mais. E existe outro mundo, em que as pessoas conversam, se colocam no colo (no seu próprio e numas das outras) e chegam consensualmente à decisão de não permanecerem juntas como um casal (o que pode implicar não morar mais na mesma casa ou nem mesmo mais no mesmo país). Isso corresponde ao mundo real? Em poucas ocasiões. Isso pode corresponder ao mundo real? Pode, uai. Mesmo não sendo muito comum. Mesmo não sendo aquilo que se espera de um casal que se separa. Reparem que não estou cagando regra pra ninguém: cada umx lida com a realidade como pode, principalmente em situações que dependem de duas pessoas para se configurarem. E eu só posso dizer que sou uma pessoa de tanta, mas tanta sorte, que foi possível ter um companheiro por quase 5 anos e dizer “adeus” da maneira mais tranquila possível. Sim, eu choro todos os dias há mais de um mês. Não, a decisão que ambos consideramos como a mais acertada não é, nem de longe, fácil nem isenta de luto ou dor. Mas, se minha opinião vale alguma coisa, é bem mais fácil quando você não automatiza essa resposta de odiar o outro. E também quando vocês reconhecem que já deram a volta várias vezes, que tentaram pra caralho, mas não querem esperar chegar até o fundo do poço.  E é bonito de ver o outro planejando uma nova vida, com perspectivas, com alegria. E ver novas perspectivas pra mim mesma, sem aquele peso, aquela pressão toda que um casamento tradicional gera na grande maioria das vezes. É reconfortante perceber que as pessoas voltaram a notar a minha risada (uma das minhas marcas registradas, há um tempo esquecida); ter resgatado o prazer de ler e escrever; ter retomado várias amizades, real e virtualmente, apesar de toda a dor no peito.  Então, se é possível escolher amar o outro de uma nova maneira, mais compassiva e livre, inclusive, eu vou escolher o amor ao ódio. Com bastante tristeza e com alívio, porque é tudo junto e misturado. Mas, sobretudo, com um sentimento de ENORME GRATIDÃO ao meu grande companheiro até o momento e a todas as experiências que compartilhamos. Que ele (e todo mundo) saiba que as portas estão sempre abertas para recebê-lo. Que sou eternamente grata a um relacionamento que começou e terminou saudável, com vários percalços e desafios no meio. Mas sempre no compasso do consenso. E que venha a nova fase, as novas experiências e a nova vida que se anuncia.

Ainda vai ter post-agradecimento. Mas não posso deixar de registrar o meu MUITO OBRIGADA à Quel e à Marina, que vêm ouvindo quase que diariamente, com muita paciência, cada etapa que venho vivenciando. Tem mais gente nesse compasso do amor aí, mas depois tem post pra agradecer detalhadamente a cada umx. Obrigada gente, vocês são pessoas maravilhosas!

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