Archive for novembro, 2010

Violência contra a mulher (2): violência gratuita

O texto abaixo, reproduzido do blog http://www.in-vestindo.com, mostra como a violência pode ocorrer por motivos não-passionais e ser gratuita mesmo. Minha opinião? Criminalizar um animal desses, óbvio. E também o dono do bar, por não ter prestado socorro e zelado pela sugurança do estabelecimento. Deve, no mínimo, ter seu bar fechado.

Aonde vamos parar?

Ontem cheguei em casa as 4 horas da manhã me perguntando: onde nós vamos parar?

Explico.

Eis os fatos: Fomos eu e mais duas amigas ao Vecchio Giorgio, um barzinho aqui em Floripa que fica na Lagoa da Conceição. Jantamos e subimos para o segundo andar, onde estava tocando uma banda de samba rock. O ambiente estava superlotado, insuportável. Decidimos que iríamos embora, e ainda não passava da 1 da manhã. De repente um rapaz começou a nos empurrar. Uma menina foi pedir para ele parar e ele imediatamente começou a agredi-la. Minha amiga foi separar e ele deu um soco em sua testa. Afundou a testa no mesmo momento. Algumas pessoas foram segurá-lo e ele começou a jogar garrafas nas pessoas. Uma outra menina foi atingida e levou sete pontos.

Questões importantes a serem consideradas:

1- Ninguém conhecia o rapaz. Ele saiu agredindo gratuitamente. Depois voltou  dançar como se nada houvesse acontecido;

2 – O segurança do Vecchio só apareceu depois, quando eu fui chamá-lo e levá-lo ao agressor;

3 – Perceberam que eu falei no singular? É que no Vecchio há apenas UM segurança;

4 – Os funcionários do bar em nenhum momento prestaram auxílio às vítimas. O proprietário do bar em momento nenhum subiu ao segundo andar para ver como estavam as vítimas;

5 – O segurança carregou o agressor e o levou para o andar de baixo, querendo liberá-lo. Como o pessoal do térreo não sabia o que estava acontecendo, tive que me colocar na frente do segurança e começar a gritar para impedir que o agressor fosse liberado;

6 – O proprietário do bar, que como eu disse, em momento nenhum foi verificar a situação das vítimas e não chamou a ambulância, mandou-me calar a boca, porque eu estava exagerando e fazendo tempestade num copo de água (palavras suas);

7 – O agressor ria e debochava da minha cara o tempo todo, dizendo que também me bateria;

8 – Dois meninos conseguiram trazer minha amiga para baixo e um policial civil presente impediu que o dono do bar e seu único segurança liberassem o criminoso. Fomos tentar sair com ela para levar ao hospital (lembrando que ela estava com a testa afundada), mas o dono do bar nos impediu de sair porque não havíamos pago as comandas;

9- Voltei ao caixa, paguei as comandas e saí com a minha amiga (precisavam ver a cara de alívio do dono do bar, que em momento algum ofereceu ajuda, só nos mandou parar de fazer escândalo desnecessário);

10 – Fomos ao hospital, minha amiga tevea testa afundada, um osso do crânio fraturado. Em momento algum apareceu alguém do bar para prestar assistência;

11 – Foi identificado o agressor, Lucas Felicíssimo, natural de Belo Horizonte, estudante da oitava fase de Medicina da UFSC. Dizem que chegou na Delegacia parecendo outra pessoa, aquele sorriso debochado fez-se lágrimas de crocodilo, acompanhados do velho jargão ‘sou inocente’. Quem viu disse que chegava a ser comovente tão brilhante atuação;

12 – O agressor, já acompanhado de advogados, foi liberado. Muitos dos presentes sentiram-se com medo de divulgar seu nome e ser ameaçado de crime de calúnia e difamação;

13 – Lucas Felicíssimo, não tenho medo da verdade. Você deve ter, eu não. Dezenas de pessoas te viram agredindo mulheres, quebrando a cabeça da minha amiga. Não tenho medo de você, seu covarde.

14 – Negligene ou conivente? Qual o adjetivo que melhor se coaduna com o proprietário do bar? E a omissão de socorro? E a falta de humanidade? Seu único interesse foi o de manter a imagem do seu bar, o tempo todo. E a falta de seguranças? E se ele tivesse uma arma? Teria nos matado a todos porque não há nenhuma espécie de controle na entrada. Ah, hoje fiquei sabendo que uma briga muito parecida ocorreu lá no Vecchio no feriado (nem isso levou o dono do bar a contratar mais seguranças);

15 – E o bandido, que em breves tempos será médico? Que tipo de médico é esse, que ao invés de salvar vidas manda duas mulheres que sequer conhecia, sem motivo, para o hospital?

As perguntas permanecem irrespondidas. Espero que a nossa Justiça possa responder algumas delas. Que mundo é esse? Onde vamos parar? Ah, o bandido e o dono do bar a essas alturas devem estar na praia; minha amiga está em casa aguardando uma cirurgia na cabeça.

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Violência contra a mulher (1)

Inscrevi meu blog numa campanha: “Cinco dias de ativismo online pelo fim da violência contra a mulher”. Eu já fui vítima de violência (não física, mas por pouco) e resolvi entrar na campanha. Acho que é uma forma de colocarmos na pauta um assunto que precisa ser debatido. Pretendo contar a minha história, mas ainda estou reunindo coragem para reviver todos aqueles momentos de intensa dor e sofirmento… Prometo postá-la até o fim da semana, pois acho que ela pode servir de incentivo a que as mulheres reajam e lutem pelo seu direito à paz e à integridade (dentre tantos outros enolvidos na discussão). Hoje, fiquem com um texto informativo, em que a autora explica, basicamente: o que é a violência contra a mulher e o que as mulheres devem fazer em caso de violência.

Fiquem de olho aqui no blog, pois haverá poesia e arte também, sobre um tema tão difícil de ser tratado por mim.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

Renato Ribeiro Velloso

 

Na esfera jurídica, violência significa uma espécie de coação, ou forma de constrangimento, posto em prática para vencer a capacidade de resistência de outrem, ou a levar a executá-lo, mesmo contra a sua vontade. É igualmente, ato de força exercido contra as coisas, na intenção de violentá-las, devassá-las, ou delas se apossar.

Existem vários tipos de armas utilizadas na violência contra a mulher, como: a lesão corporal, que é a agressão física, como socos, pontapés, bofetões, entre outros; o estupro ou violência carnal, sendo todo atentado contra o pudor de pessoa de outro sexo, por meio de força física, ou grave ameaça, com a intenção de satisfazer nela desejos lascivos, ou atos de luxúria; ameaça de morte ou qualquer outro mal, feitas por gestos, palavras ou por escrito; abandono material, quando o homem, não reconhece a paternidade, obrigando assim a mulher, entrar com uma ação de investigação de paternidade, para poder receber pensão alimentícia.

Mas nem todos deixam marcas físicas, como as ofensas verbais e morais, que causam dores,que superam, a dor física. Humilhações, torturas, abandono, etc, são considerados pequenos assassinatos diários, difíceis de superar e praticamente impossíveis de prevenir, fazendo com que as mulheres percam a referencia de cidadania.

A violência contra a mulher, não esta restrita a um certo meio, não escolhendo raça, idade ou condição social. A grande diferença é que entre as pessoas de maior poder financeiro, as mulheres, acabam se calando contra a violência recebida por elas, talvez por medo, vergonha ou até mesmo por dependência financeira.

Atualmente existe a Delegacia de Defesa da Mulher, que recebe todas as queixas de violência contra as mulheres, investigando e punindo os agressores. Como em toda a Polícia Civil, o registro das ocorrências, ou seja, a queixa é feita através de um Boletim de Ocorrência, que é um documento essencialmente informativo, todas as informações sobre o ocorrido visam instruir a autoridade policial, qual a tipicidade penal e como proceder nas investigações.

Toda a mulher violentada física ou moralmente, deve ter a coragem para denunciar o agressor, pois agindo assim ela esta se protegendo contra futuras agressões, e serve como exemplo para outras mulheres, pois enquanto houver a ocultação do crime sofrido, não vamos encontrar soluções para o problema.

A população deve exigir do Governo leis severas e firmes, não adianta se iludir achando que esse é um problema sem solução. Uma vez violentada, talvez ela nunca mais volte a ser a mesma de outrora, sua vida estará margeada de medo e vergonha, sem amor próprio, deixando de ser um membro da comunidade, para viver no seu próprio mundo.

A liberdade e a justiça, são um bem que necessita de condições essenciais para que floresça, ninguém vive sozinho. A felicidade de uma pessoa esta em amar e ser amada. Devemos cultivar a vida, denunciando todos os tipos de agressões (violência) sofridas.

 

Bibliografia.
· Silva, De Plácido e – Vocabulário Jurídico, Rio de Janeiro, 1998. 1. Direito – Brasil – Vocabulários, glossários etc.I.Título – Editora Forense, 1998.
· Eluf, Luiza Nagib – Crimes contra os costumes e assédio sexual / Luiza Nagib Eluf – Ed.condensada – São Paulo: Editora Jurídica Brasileira, 1999.
· Vários autores – Manual operacional do policial civil: doutrina, legislação, modelos / coordenação Carlos Alberto Marchi de Queiroz – São Paulo: Delegacia Geral de Polícia, 2002.
· Brasil – Código Penal / coordenação Mauricio Antonio Ribeiro Lopes – 5.ed.ver., atual.e ampl. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000. – (RT Códigos)

* RENATO RIBEIRO VELLOSO (renatov@matrix.com.br), Membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCrim, Pós-Graduando em Direito Penal Econômico Internacional, pelo Instituto de Direito Penal Econômico e Europeu da Universidade de Coimbra, Portugal

Disponível em: http://www.portaldafamilia.org.br/artigos/artigo323.shtml

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Enfim, notícias!

Bom, para aqueles que estão ávidos por notícias genebrinas e foram sumariamente enganados quando disse que daria notícias pelo blog (desculpa, gente, não resisto às eleições!), em vez de fazê-los por aqueles e-mails enormes que ninguém lê, vou contar pra vocês um pouquinho do meu cotidiano aqui, fazendo observações “brasiliocêtricas” sobre Genebra.

1- Bom, a primeira coisa que chama muito a atenção de uma brasileira aqui é o clima. Estamos no outono, mas pra mim, é o inverno mais rigoroso que já vivi. Outro dia, tava saindo da aula que tenho à noite (ainda mato esse prof, que dá aula de 8 às 10 da manhã e de 18 às 20h) e comentei com a minha amiga indiana (a única das minhas colegas de sala que acredita em mim quando digo que sinto muuuito frio): “Nossa, se tá assim agora, imagina no inverno…” E ela, com uma cara de desespero genuíno: “Não, não, para! Melhor não imaginar!!!” Bom, praqueles que acreditam em inferno um aviso: se o inferno existir, COM CERTEZA ele é gelado!

2- A segunda coisa que chama muito a atenção aqui é o silêncio. Nos primeiros dias em que estava aqui, percebi que havia algo me incomodando. Quando entrei no saguão da fac pra fazer matrícula, ouvi um barulho de gente conversando e entendi: era o silêncio. Aqui os carros não buzinam nem se você pular na frente. As pessoas jamais gritam. Você pode ir pra um lugar lotado de gente, que não vai ouvir a conversa dos outros (coisa que eu amava fazer nos butecos no Brasil). Não tem essa de entrar no ônibus e convesar com a pessoa do lado (fiz isso outro dia com uma baiana e fiquei feliz da vida!). Quando você ouve alguém falando alto, geralmente é italiano ou brasileiro. JAMAIS será um suíço, nem se ele estiver bêbado.

3-A terceira coisa que me chamou a atenção aqui foi a falta de pressão para termos os mesmos cabelos loiros e escorridos, andarmos sempre de maquiagem, lotarmos o banheiro olhando o cabelo no espelho… Já falei disso num outro post. E olha que eu nem sou, nem de longe, das mais preocupadas com essas coisas no Brasil. Já fui mais “relaxada” do que atualmente, mas jamais fui paranoica. E consegui sentir um puta alívio quanto a isso.

4- Isso me leva à quarta observação: o comportamento dos homens. Em geral, os homens aqui não olham pra você como se você fosse um pedaço de carne no açougue. Não que aqui não haja machismo, mas não tem aquele comportamento pedreiro de você sair na rua e mexerem com você. As três vezes em que homens me mascaram descaradamente, lamento informar, mas eram brasileiros. E lamento inclusive pelos meus amigos legais do Brasil, porque a sensação foi bem desagradável. Enfim: quando você sai com um cara aqui, ele não tenta te comer desesperadamente de todas as formas. E se você tomar a iniciativa de ligar no dia seguinte, não rola aquela conversinha mole entre os amigos dele, do tipo: “Nossa, ela está desesperada, cuidado, vai colar no seu pé”, entende? Acho, sim, que os homens aqui são mais reservados e menos cheios de paranoias e frescuras. As coisas são mais diretas. E mais tranquilas.

5- Se você dá uma nota de 100 pra pagar um lanche de 3 francos, NINGUÉM  faz cara feia, reclama ou pergunta se você tem menor. Se você vai atravessar a rua, os carros sempre param pra você (confesso que nunca me acostumo com isso e espero uns 5 segundos depois de o carro parar pra atravessar.Em todos os estabelecimentos comerciais em que você entra, as pessoas dizem “Bom dia”, “Obrigada, tenha um bom dia”. Acho que os europeus são mais civilizados? Não, cara-pálida, é que aqui os funcionários das lojas são bem pagos e recebem treinamento, além de as leis serem colocadas em prática. Experimenta não parar pra um pedestre pra você ver a indenização absurda que você vai pagar…

6- Aqui existe racismo contra estrangeiros. Você vê isso até em expressões de piada que usam, do tipo: “Ele fala francês como um puto espanhol”. O pessoal aqui (não só na Suíça, mas também na Bélgica e até mesmo em Portugal, um país menos rico) culpa os imigrantes por todas as mazelas que acontecem no país. Então europeu é mais racista que nós brasileiros, seres pacíficos e adeptos à diversidade? Engano de novo cara-pálida. Pra mim o Brasil é super racista, mas é um racismo interno, contra negro, contra pobre, contra nordestino (as manifestações xenofóbicas desta semana não me deixam mentir!)… Inclusive, acho que o racismo no Brasil é menos descarado, mas mais hipócrita e, por isso, difícil de ser combatido. Ainda mais agora com leis  em que alguém pode ser criminalizado por racismo. Mas o nosso racismo, pra mim, acontece quando vemos um negro e atravessamos a rua, quando criamos pédios com elevador de serviço, e lá se vai uma lista imensa…

7- O transporte público é sensaconal! O ônibus não sacoleja, não dá aquelas freadas inesperadas, passa exatamente na hora e não faz aquele percurso de caracol pra chegar nos lugares. Dentro dos ônibus, há um painel que indica o percurso e uma indicação por voz do nome da próxima parada. 90% as publicidades que têm dentro (E FORA) dos ônibus são relacionadas à programação cultural da cidade e também do restante da Suíça.

Bom, perdi a inspiração pra continuar a lista… Vou escrevendo mais sobre as minhas impressões cotidianas de imigrante!

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Sketches- Misunderstandings

DIÁLOGO 1- Maíra e seu namorado superlord:

M: Nossa, mas seria muito cara de pau se eu fizesse isso!

((2 min depois, Maíra já no quinto assunto:))

NS: Carra (ele tem um ‘r’ germânico vindo diretamente da úvula)  de pão?!?!

((2 min de gargalhada de Maíra – como dizem os jogadores de futebol, “quem conhece, sabe”))

M: ((escrevendo)) Cara de pau

NS: Ah

((3 min depois, Maíra já no seu 156° assunto))

NS: Desculpe, não percebi. Você poderia me explicar o que é carra de pau? É que olhei no diccionário (português de Portugal) e não encontrrei.

((12 min de gargalhada homérica de Maíra -e desespero de todo o quarteirão))

M: Cara de pau, descarado.

NS: ((rindo educadamente)) Desculpe, vou prrecisar de outrra palavrra

M: Hum… Explícito?

NS: Ah, obrrigado!

É ou não é o mais lord do Brasil? Ops, da Europa?

DIÁLOGO 2- Maíra e a dona da sua ex-casa (YAY!)

DC- Para onde você vai se mudar?

M- Para Mont-Blanc

DC- Esse nome não me diz nada

M- É bem próximo à estação ferroviária

DC- Bairro ruim! ((Seguido de uma careta, um barulho de peido com a boca e um dedo polegar para baixo)) Tudo o que é próximo à estação ferroviária tem prostituição, drogas, ladrão…

M- Bom, vou anotar meu endereço, pois, você quiser me fazer uma visita, terei prazer em lhe receber!

DC- EU?! Com o MEU carro?! Não vou NUNCA! Se você quiser vir aqui, ok, mas eu não vou até a sua casa!

Se ela estivesse no Brasil, tenho certeza do candidato em que ela votaria! Tenho medo de pensar em quem ela vota aqui na Suíça…

Ah, vale a pena o update depois da conversa:

DIÁLOGO 3- Maíra, sua superamiga brasileira e o namorado super gente fina dela [da amiga],  esperando o ônibus tarde da noite na estação ferroviária, no mesmo dia da conversa com a dona da ex-casa (YAY! -não consigo não dar o gritinho de felicidade :P)

M: Diz a dona da casa que aqui é um “bairro ruim” (repete o gesto “careta-peidinho-polegar”).

SB:  Uai, é?

M: ((Olhando pras pessoas bem vestidas em torno da estação)) Uai, diz que é…

((15 min depois)):

M- Uai, cadê os fumados de crack, as prostitutas, os ladrões????

SB- ((risada))

((5 min depois))

NSGF (a sigla ficou enorme!): Tô sentindo uma maré de baseado. Ó as drogas aí!

((Gargalhada geral))

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