Descobertas femininas

Estou passeando em Lisboa nesta semana. Estava me sentindo meio insegura e achei que um pouco de português e de amigos queridos me faria bem. Estando aqui, pude comprovar alguns detalhes que já havia notado na Suíça e que dizem respeito aos massacrantes padrões de beleza a que somos submetidas no Brasil e também a como a cabeça dos homens funciona na Europa. Seguem algumas observações, todas carregadas de juízo de valor brasileiro, vale lembrar:

1- Fui ao banheiro das mulheres no shopping e fiquei  chocada: não é lotado de mulher no espelho
2- Todo mundo assume o cabelo que tem. Você não sai na rua e vê simplesme nte um monte de cabelo alisado e quase sempre loiro. As mulheres não ficam passando a mão no cabelo 24h por dia.
3- Não tem mulher no ônibus olhando desesperadamante o batom no espelinho da bolsa.
4- Saí com um vestido comprido e um babtonzinho e fui olhada pelos homens com interesse e pelas portuguesas com desprezo.
Me sinto livre aqui: livre dos padrões massacrantes que o Brasil nos impõe.
Estou tendo um affair com um belga tudo de bom,  que fala português superbem. Até então, pude comprovar o seguinte:
1- Homem aqui é outro departamento. São discretos e não querem te comer a qualquer custo na. Parece que as coisas acontecem mais naturalmente, sabe?
2- Outra coisa também: não tem nada dessa galinhagem do Brasil. Os caras aqui não têm essa cultura PODRE de sair pegando todo mundo… O belga, por exemplo, teve duas namoradas na vida e, segundo o marido da minha amiga (que contou pra ela e não pra mim hehehe), só transou uma vez. E ele é um cara bonito, interessante, estudado, essas coisas. Ele é tão ingênuo e verdadeiro, que dá até um pouco de dó…
3- O raciocínio dele não faz curva.  Hoje, por exemplo, ele vai a uma festa, mas não quer me levar. Ele disse o seguinte: “Tenho uma festa de despedida de uma amiga para ir amanhã. Ela não sabe que estamos juntos e eu prefiro esperar mais um pouco”. Fim. Simples assim. Sem mentiras, sem subterfúgios, sem combinar, desmarcar (mas não avisar que desmarcou) e depois simplesmente me deixar plantada e não atender o celular.
4- No nosso encontro, ele se atrasou. No horário combinado, ele me ligou e avisou. E foi um atraso de 5 minutos.
5- Ele não reparou uma só vez a minha unha, o meu cabelo, a minha roupa ou a minha bunda. Ele estava muito mais interessado no que eu tinha a DIZER!

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7 Comentários »

  1. Ana Elisa Ribeiro said

    Oi Maíra

    foi e nem nos vimos! Mas espero você voltar, cheia de experiências. Sucesso aí!

    beijão

  2. Natália Avelar said

    Viagem rendendo hein…. hehehe

    Beijos!

  3. Kariny said

    Maíra,
    PELAMORDIDEUS, tu tem que voltar daí casada. Nao precisa ser com um Gabriel, desde que tenhamos um lugar pra passar férias todo ano.

    bjao

  4. vivi said

    Que bom que você tem muito o que dizer né, Maíra…além disso cuida bem das unhas e sabe se vestir bem! Se ele reparar nesses aspectos verá que está diante de uma mulher inteligente e bela…o que também escapa ao padrão brasileiro, numa análise superficial e um tanto generalizante. Adorei uma frase da Clarice que li na biografia dela (presente do Bruno)qdo ela explica porque havia desistido de dar entrevistas: “Eles não iam entender uma Clarice Lispector que pinta as unhas dos pés de vermelho”. Acho que se criou um mito em torno da mulher intelectual, e a própria, muitas vezes, tem uma dificuldade de assumir a beleza e a sensualidade, buscando um visual propositalmente sem graça, feinho, “alternativo”. Não vejo problema algum em olhar desesperadamente o batom no espelhinho da bolsa, ou alisar e tingir o cabelo, fazer plástica, etc, etc. Desde que a mulher não se resuma a isso, e tenha algo interessante a dizer, para o homem que está interessado no que ela tem a dizer. Mas são poucos, viu…se achou, segura o bofe! Beeeeijos!

    • mairavelar said

      @Ana Elisa Que legal vc ter visitado o blog, Ana! saudades!

      @Natty Rendendo mesmo, ainda bem! =)

      @Kariny Se for com o belga (tá rendendo, heheheh), será com o estereótipo do homem loiro de olhos azuis. Mas hein? Pra quê casar? Melhor você me desejar mais um ano de bolsa na Europa! 🙂

      @Vivi Adorei o comentário, Vi! Mas vejo, sim, problema em sermos tão aprisionadas em padrões de beleza massacrantes. Será que precisamos mesmo mudar (o pior o que “mudar” adquire exatamente o sentido oposto da palavra descontextualizada, pois passa a significar “ser igual, e não “ser diferente”) nossas características simplesmente para ficarmos todas iguais (mesmo cabelo, mesmo peito, mesmo tamanho…)? Não entro aqui no mérito de dicotomizar “físico x intelectual”, mas na questão de haver tantas exigências a serem cumpridas por nós mulheres no quesito “beleza” (e o mesmo não ocorrer com os homens!! Homem velho é charmoso, mulher velha é feia, etc). Não podemos ser belas sendo baixinhas, de cabelo anelado, sem maquiagem? É claro que essas coisas [maquiagem, plástica, etc] podem fazer parte, pois “ser mulher” é diferente para cada uma de nós. Mas seria ingênuo dizer que as coisas que mencionei (só pra ficar no básico do que nos exigem atualmente) não fazem parte de um padrão massificador. Enfim, o que me pergunto mesmo é: nós, mulheres, não podemos ter valor simplesmente pelo que dizemos? Temos que viver eternamente num concurso de miss? (Porque sempre que mencionam uma mulher na grande mídia, por exemplo, falam algo de sua aparência). O que é belo é só o que é padronizado? Acho que “ter dificuldade em assumir a beleza” é justamente se ver na obrigação de se conformar aos padrões; é só ver beleza naquela aparência que dizem ser a bela…

  5. vivi said

    é…o conceito de beleza que impera é mesmo massacrante…e o assunto muito delicado e relativo. Escrever sobre vaidade?! Meu Deus, que abacaxi você me arrumou pra descascar! hehehehehe beijo!

  6. […] sempre de maquiagem, lotarmos o banheiro olhando o cabelo no espelho… Já falei disso num outro post. E olha que eu nem sou, nem de longe, das mais preocupadas com essas coisas no Brasil. Já fui mais […]

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