Archive for junho, 2010

Everybody cries

“Everybody cries

Everybody hurts, some times

Hang on”

E aí vem essa dor, que eu não sei de onde, mas what’s the deal? Às vezes, parece que uso óculos míopes, que não fazem mais que distorcer e potencializar… o quê, exatamente? É difícil nomear aquilo que é da ordem do imponderável. É como se eu me olhasse de várias perspectivas ao mesmo tempo, como num quadro de Picasso, e de repente tudo ficasse absurdamente fragmentado. Absurdo. Bagunçado demais. Mas quando eu me perco, eu me encontro. Ou quando perco algo que não sei o que é, encontro algo que não sei o que é também.

O que é que eu estou deixando pra trás quando deixo toda a vida  que construí aqui pra trás também? Na verdade, talvez isso de deixar pra trás é uma ilusão: deixo pra trás o que é externo, mas certamente carrego dentro de mim todas as experiências, toda a cultura que me é própria, todas aquelas coisas das quais gostaria de me livrar, mas também aquelas às quais quero me agarrar pra sempre.

O encontro do mesmo interno com um outro externo pode gerar confrontos, ou talvez confortos. Mas aí vem o medo de não saber me comportar diante daquilo que não faz parte do meu matiz ainda. É como se eu enxergasse com uns óculos que não me permitem enxergar aquilo que está fora de suas lentes. Mas se os óculos são mais míopes do que clareadores, por que não os jogar pela janela, simplesmente?

E também tem isso de ser fluente numa outra língua. O que é que flui e o que é quem simplesmente empaca? Saudade, numa outra língua, empaca, por exemplo. Mas o cotidiano flui.

Por que é que dói aquilo que deveria ser apenas prazer ou diversão? Talvez, assim como os óculos são míopes, a diversão também seja dolorida. E colorida ao mesmo tempo. E fica difícil se encontrar nessa fragmentação. Mas talvez se perder seja justamente se encontrar.

E a pergunta talvez não seja “O que estou perdendo?”, mas “O que estou encontrando?”

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