Archive for maio, 2010

Sobre porque sou agnóstica (?)

Dia desses, tava conversando com a Fernanda, uma amiga minha da pós que está na Alemanha. Não sei como foi, mas acabamos falando sobre religião. Ela comentou que havia lido um post meu falando sobre a morte da Malu, ex-orientadora dela. A conversa foi tão bacana, que conversei com a Fê e ela me autorizou a postar aqui (vai com erros ortográficos de msn e tudo!) . Achei legal compartilhar, de uma forma mais espontânea, o que penso sobre Deus/religiões e “otras cositas más”…

Fernanda! diz:

vc tava na missa de 7o dia da Malu?

=Maíra= diz:

não. não consigo ir nessas coisas. fico mal demais! mas o qq rolou?

Fernanda! diz:

é pq eu escrevi uma mensagem q a Juliana leu lá na missa, achei q vc pudesse ter ouvido…to me lembrando pq gostei do seu texto ” Revolta ruiva” no blog

=Maíra= diz:

ah, não ouv, q pena. vc tem ele aí?

Fernanda! diz:

tenho…quer ler?

=Maíra= diz:

sim!

Fernanda! diz:

vou colar os pedaços aqui…pode ser? Aí vc me fala o q achou quando terminar de ler

=Maíra= diz:

vc tem o arquivo? se quiser, pode me enviar por email

menos trabalhoso pra vc

Fernanda! diz:

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk lembrei do post

mando pra esse email aqui mesmo?

=Maíra= diz:

sim sim. é o meu email de uso habitual

Fernanda! diz:

mandei

=Maíra= diz:

nó, mto lindo

mto legal qdo vc fala do inesperado, do intocável, do imaterializável

Fernanda! diz:

foi bem verdadeiro…teve muita ressonância pra mim e eu fui lá quando ela tava em coma logo depois da morte cerebral…só familia tinha acesso, mas sei lá porque eu conseguir ir e fiquei sozinha com ela durante uns bons (sei lá) 15 minutos

=Maíra= diz:

nossa, pesado, né?

assim: a minha opinião sobre essas coisas é bem polêmica e nada religiosa. mas acho q o q mais importa, no fim das contas, é esse “eco” de q vc fala no fim do texto: são as conteibuições e as sementes q ela deixou

Fernanda! diz:

é…vi bem essa sua faceta nada religiosa lá no seu texto… vc é ateia? Como escreve? Ou agnóstica?

=Maíra= diz:

ou, n sei, sabe? n paro mto pra pensar nessas coisas. venho de família espírita, então acho arriscado bater o martelo e dizer q não existe deus/espíritos, etc. mas n me importa muito isso, sabe?

isso n implica em n ter comigo princípios morais ou fé. tenho fé na vida, nas pessoas. e me importo mais c o q podemos fazer de concreto, c coisas mais imadiatas

essa transcendência me cansa

essa necessidade de ter q ter um deus pra explicar tudo me parece meio humana e apenas um artfíco pra lidarmos c aquilo q é devastador

Fernanda! diz:

interessantíssimo…jamais imaginei q vc vinha de uma familia espírita…sei como é…a vida deve ser mais ação do que oração…

=Maíra= diz:

se deus existir, certamente ele n é nada disso do q as religiões dizem

agir moralmente, em sentido amplo,  tem sido mto mais desafiador do q agir segundo uma moral religiosa, sabe?

Fernanda! diz:

interessante, um dia (q vc estiver disposta…risos…tiver muito descansada) a gente podia trocar umas ideias pessoalmente…eu adoraria te fazer uma entrevista…risos…mas é sério, acho muito legal o modo como as pessoas (sem religião ou algo semelhante) enquadram a realidade, sabe? Como as coisas sao representadas… e reapresentadas…acho linguisticamente fantástico

=Maíra= diz:

podemos sim! hahahaha

eu n sei se sou ateia. pq meus amigos ateus são extremamente pessimistas. eu sou otimista, apesar do meu ceticismo

acredito q as pessoas podem melhorar e q posso melhorar como pessoa, algo em q meus amigos ateus n acreditam

Fernanda! diz:

minha teoria passa por aí…conheço mais ateus ou agnósticos mais otimistas do q pessimistas

=Maíra= diz:

esse pessimismo me cansa tanto quanto o transcendentalismo

daí eu n sei onde estou. mas certamente n apelo a deus qdo estou desesperada, ehehehhe. esse costuma ser o grande trunfo dos cristãos (e não dos religiosos como um todo): “aposto q se vc passar por uma situação mto difícil, vai rezar”. minh avó teve câncer, meu ex-namorado tentou me matar (na mesma época) e n pedi a deus nem uma vezinha

Fernanda! diz:

acho q a questao toda tá por aí mesmo… na verdade de onde vem o impulso pra se melhorar…nas religioes é a culpa de um modo geral q impulsiona…a ideia do castigo… e daí pros ateus, fica aí uma lacuna…tipo bem pragmático: quando der tempo eu melhoro…eu acho muito divertido

=Maíra= diz:

eu tento me melhorar constantemente

n preciso de religiões para me sentir culpada: tenho uma cobrança interna mto grande

Fernanda! diz:

Mas melhorar pra vc mesma? De onde vem o seu impulso pra melhorar? Vc consegue sistematizar?

=Maíra= diz:

acho hipocrisia vc ter q se valer de uma força externa, de uma força maior, pra poder operar mudanças em sua vida

Fernanda! diz:

entendo…vai ter q rolar uma sessaozinha de analise do discurso…ahhh vai mesmo…no buteco!

=Maíra= diz:

melhorar pra mim, melhorar pras pessoas à minha volta, fazer o melhor naquilo a q me propuser fazer, acreditar q mudanças políticas/sociais são possíveis, acreditar q o brasil tá indo pra frente (mesmo q a passos pequenos), coisas assim.

faço análise há 6 anos, é um exercício constante de olhar pra mim e tentar melhorar de alguma forma, mesmo q de uma forma dolorida, pq a análise mais dói do q conforta, mas os resultados de um mergulho mais profundo são mais eficientes, inclusive pra modificar o forma como me relaciono c as pessoas

Fernanda! diz:

entendo perfeitamente…já fiz uns 5 anos tb…de Freudiana a psicologa…sem dúvida…a gente se ouvir é foda

=Maíra= diz:

religião, de maneira geral e especialmente as cristãs, só deixa as pessoas mais acomodadas aonde estão e c suas consciências mais tranquilas.

mas cada um encontra sua forma

isso n quer dizer q n seja eficiente pra alguns e q n haja pessoas religiosas q n sejam ativas

acho burro e superficial generalizar

Fernanda! diz:

nao tive alta…se é q isso existe na análise… tenho q voltar correndo… vá se preparando pra quando tiver fora do país ou vc vai continuar via Skype…

?

=Maíra= diz:

só q eu truco muita coisa mesmo, n tem jeito hahahah

nem sei se tem como hehehehe

eu me dei alta por um tempo e voltei pra me preparar pra ida mesmo

pq é o meu meior sonho de vida se realizando

Fernanda! diz:

é mesmo, Maíra?

=Maíra= diz:

mta coisa misturada…

Fernanda! diz:

q coisa…

=Maíra= diz:

sim, desde criança

nunca tive sonho de casar

meu sonho sempre foi morar em ourto país, nem q fosse por um tempo

Fernanda! diz:

q bonito…q profundo…to encantada

=Maíra= diz:

tenho fascínio por aprender línguas

conhecer pessoas de outras culturas, essas coisas

acho q é meio q uma forma de responder melhor àquelas perguntas batidas, mas q incomiodam a todo mundo; “quem sou eu?” “onde estou?”

Fernanda! diz:

e vou te contar uma coisa… a cultura é um traço mesmo distintito…como na semântica… vc vai ver…

=Maíra= diz:

ah, imagino q sim e q vou passar aperto c isso tb heheheh

Fernanda! diz:

uma oportunidade incrivel é fazer curso de língua em outro país…vc vai fazer? Vc encontra gente do mundo todo na sal de aula e daí o cultural grita, geme, berra…é demais

=Maíra= diz:

pq nós duas escolhemos países bem distintos de países c cultura latina, né?

vou fazer sim

Fernanda! diz:

e a gente se redescobre mesmo misturada com os outros…vc vai ver

=Maíra= diz:

vou até olhar isso. qro fazer um curso de tradução e um de francês avançado

Fernanda! diz:

vale muito a pena…

Fernanda! diz:

essa é uma das escolhas q eu fiz aqui…de 12 meses, eu escolhi 6 meses estudar alemao em curso…é uma escolha…vc vai recolher corpus no exterior? Ou é aprofundamento teórico?

=Maíra= diz:

preciso dos laboratórios de voz e da metodologia utilizada pelos suíços pra analisar o meu corpus

pq nada parecido c o q qro, em termos de análise, é feito aqui no brasil

Fernanda! diz:

ahhhh… uau!!! Isso é da hora…tomara q sua outra bolsa saia pq 4 meses é só o tempo de esquentar

caso a outra bolsa nao saia, é preciso q vc se prepare mentalmente pra viver sei lá… 6-7 meses em 4!

=Maíra= diz:

pois é

qro tentar ficar 6 meses

Fernanda! diz:

vc pediu 6 meses na outra?

=Maíra= diz:

9 meses

ms tenho visto pra ficar 6 meses, pelo q outras pessoas q foram por 4 meses me disseram

o foda é q tudo em genebra é caríssimo

Fernanda! diz:

mas as chances sao grandes de sair 9 meses, estamos torcendo, ne?

=Maíra= diz:

TOMARA

Fernanda! diz:

Companheira, preciso sair agora…bom demais falar com vc…

=Maíra= diz:

menina, acho q a capes cvai me dar os 9 meses

pq ACABARAM de me mandar um email

pedindo novos documentos

Fernanda! diz:

uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

=Maíra= diz:

e o número do processo corresponde ao do balcão!!!!!

Fernanda! diz:

ahahahahaha…bom demais!!!!!!

=Maíra= diz:

torça/reze/ faça o q vc acreditar (haahhahahaah) pra q dê certo!!!

Fernanda! diz:

pode deixar

=Maíra= diz:

a gente vai se falando, sim?

Fernanda! diz:

farei

=Maíra= diz:

bjão!!

Fernanda! diz:

blz

combinado…tudo de bom aí…bjo

=Maíra= diz:

ótimo falar contigo!

Fernanda! diz:

ahhh e Fica com Deus!!! risos

=Maíra= disse (12:38):

vc tb!! (pq isso só pode trazer coisa boa, né? )

E vcs, o que pensam sobre o assunto?

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Sketches- clientes

Trabalhar com revisão é legal: você trabalha em casa, ganha sua grana sem descontos de imposto e ainda recebe relativamente bem pelo serviço. Acontece que as pessoas costumam te procurar aos 46 minutos do segundo tempo, querendo o serviço pra ontem. Como se revisar um texto fosse coisa de cinco minutos, sabe?

Esta semana, precisamente ontem e hoje, dois clientes me procuraram. Saca só o que rolou:

Cliente 1- a analfabyte: A moça me liga e me pede pra colocar o trabalho escolar da filha dela nas normas da ABNT. Geralmente, meus clientes são universitários. Pensei: “Nó, que bom, só formatar ABNT!” Aí a moça queria vir aqui em casa pra trazer o trabalho. “Não precisa, basta você me enviar por email”. Então, ouço a seguinte resposta: “Eu não sei enviar por email”. Se estivéssemos em 1995, eu compreenderia, mas pô, a moça não sabe enviar arquivos por email, em pleno ano de 2010! Combinei, então, de ela me entregar o arquivo na PUC hoje cedo. Acontece que não pude ir lá. Quando ela me ligou, eu disse: “Se você quiser, te ensino como enviar por email”. Depois que expliquei pra ela (e ela foi anotando no papel), ela me pergunta:  “O arquivo tem que estar dentro do computador pra você corrigir?” Bom, cara pálida, se você quer que eu MUDE a formaação do texto, é óbvio, né? “Olha, é bom, né? Senão não tem como eu mudar a formatação…” “Mas eu digitei o trabalho em dois computadores diferentes:  no de casa e no da escola”. Wait a second: você é PROFESSORA?! De que século?? Aí falei pra ela que teria como ela enviar os dois arquivos por email pra mim. “Mas eu só sei mandar email pra você quando entro no meu email”. É, eu sei… Parece que ela pensou que tinha como me mandar um email pelo Word. Quando vi que ela não tinha entendido como enviar o email, disse: “Você pode gravar os arquivos num pen-drive (pen, o quê?) ou CD e me entregar pessoalmente, mas não precisa desse trabalho todo: você pode me enviar por email mesmo. Você entra no seu email, digita o meu, clica no clips, clica no nome do arquivo e me manda!” “Vou ver se alguém entendindo de computador pode vir aqui pra me ajudar. Te ligo mais tarde.” Eu aposto que ela ainda vem aqui em casa com o arquivo impresso pra eu corrigir.

Cliente 2- desesperado além da conta: Ontem, um sujeito, indicado por uma amiga, me manda uma mensagem, perguntando se podia revisar a monografia dele.  Respondi, solicitando que ele me enviasse um email (foi-se o tempo em que eu gastava meus preciosos créditos com clientes no celular). Ele me liga no dia seguinte, porque queria “conversar um pouquinho comigo”. É incrível como sempre tem uma história de desabafo! No fim das contas, ele queria o serviço pra ontem, é claro. Disse pra ele: “Só posso a partir de segunda.” “Mas não tem jeito de passar o meu na frente?” (Adoooro!) Falei pra ele que não, porque o povo já tinha mandado antes, etc. Combinamos que eu enviaria o orçamento ainda pela manhã e o fiz cinco minutos depois do telefonema, pq conheço esses tipos desesperados. Aí o camarada me liga à tarde pra perguntar se eu tinha mandado o email com o orçamento. Sim, o que eu tinha mandado de manhã. Assim: por que diabos você  não olhou o email em vez de me ligar??? “Mandei sim, logo depois que você me ligou, você não conseguiu acessar?” (Detalhe: ele enviou o arquivo enquanto ainda conversava comigo, tamanho o desespero). Ele falou que era o email do trabalho, que só acessava lá. “E aí, como é que ficou??” “Olha, eu não  estou mais em casa e não decorei o valor…” “Assim que eu chegar no serviço amanhã, te respondo!” Aí hoje, ele manda um email confirmando a execução do serviço e termina assim: “Capricha, viu!!!” (Com todas essas exclamações que você está vendo…) Pena que a gente não pode mandar os clientes irem chupar limão…

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