E então veio o silêncio, e com ele, o desejo. Eles conversavam casualmente; dois conhecidos que não se viam há longo tempo. O pequeno café era aconchegante; a comida era particularmente boa, como também o expresso. Ela tinha um humor que fazia parte dela naturalmente. Quando sorria aquele sorriso farto, balançava os ombros de modo peculiar. E tinha um jeito diferente de andar e de mexer nos cabelos, que ele antes não havia notado. Ele tinha um jeito comedido e simplório que a encantava. E ela nunca havia se dado conta do quão encantador era o jeito como ele sorria pra dentro de uma maneira charmosa e incisiva. Ele a levou para casa, e então começou a chover forte. E ela pensou que queria permanecer ali naquele carro pra sempre. E eles ficaram olhando a chuva pela janela, em silêncio. E ele pensou: “Eu simplesmente quero ficar aqui”. E foi assim que se beijaram, tendo aquele silêncio aconchegante como cúmplice. Permaneceram um longo tempo de mãos dadas e, depois, acariciando rosto um do outro. Então, ele pegou um bloco de notas no porta-luvas do carro, anotou o telefone. Ela fez o mesmo e desceu do carro depois de sussurrarem um “tchau” um para o outro. Olhou pra ele e jogou um beijo através do vidro molhado. Ele permaneceu ali por algum tempo, observando o andar dela até que ela entrasse em casa. Foi então que ele percebeu a mágica e foi invadido por um sentimento de que tudo ali era lindo. E que poderia permanecer lindo sempre.

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