Da traição

Ele a estava traindo há alguns meses. Eles terminaram. Ela descobriu. E agora ela quer que ele morra. Logo ela, que é uma pessoa tão doce. Logo ela, que apostou tudo num relacionamento longo. Logo ela, que o afofava, que fazia tudo por ele. Ele estava cada vez mais sufocado. A vida mudando vertiginosamente, e ela ali parada, sempre esperando por ele. E ele querendo que ela fosse mais independente. E ele querendo se jogar  na vida. E ele não conseguiu se conter, mas também não teve coragem de romper, porque era um processo. E ele não conseguiu pensar muito além de si mesmo.

Esta historinha é conhecida de muita gente. Aconteceu com pessoas próximas há pouco. Já aconteceu com muita gente ao longo da vida. Há variações dos papéis, e, por vezes há variações no enredo, mas a estrutura de desigualdade costuma não variar muito – ainda que os papéis possam se inverter. Eu já fui traída. Acho que foi a segunda humilhação mais forte que senti na vida. Primeiro, a dor aguda no peito, a sensação de que você está sendo esmagada, de que o mundo, de repente, virou um cantinho pequeno demais pra te caber. Depois, a sensação de “como eu fui uma idiota!”, prontamente seguida de um “Quero que ele morra!”. Eu entendo demais a dor, a humilhação e a raiva.

O que eu não costumo entender muito, é como as pessoas simplificam excessivamente um ato de traição, e já correm pra bater o carimbo de “culpado/a” em quem trai. E culpado/a significa culpado/a pelo fim do relacionamento, culpado/a pelos problemas que o relacionamento vinha trazendo, enfim, culpado/a por tudo. Acho de um reducionismo absurdo, até burro mesmo,  desconsiderar tudo o que alguém foi pra você, desconsiderar tudo o que aquela pessoa tem de bom, tudo o que você aprendeu num relacionamento, e reduzir isso à traição. É de uma puta injustiça. Arrisco a dizer que é muito mais fácil assim: eu sou a vítima, o/a outro/a é o culpado/a e eu vou ali apontar meu dedo pros outros. Uma vez, um tio meu tava pra separar. Aí ele tinha arrumado uma amante. E todo mundo da família dizia que “ele tava separando por causa da outra”. E eu tenho mesmo dificuldade de entender porque “a/o outra/o” é sempre visto como causa, e nunca como consequência.

Porque “veja bem”: na minha cabeça, outra pessoa na relação, em casos de relação monogâmica tradicional, salvo os casos em que as pessoas são poligâmicas, adoram experimentar, mas insistem em relacionamentos monogâmicos (olha, conheço um monte de gente, hein! Mas monogamia/poligamia é assunto pra outro post), costuma ser sintoma de que MUITA coisa já não vai bem. De que a corda, esticada há um tempão, arrebentou. Então, acho que vale o questionamento: o que EU, ser que foi traído/a, posso ter feito para que uma das consequências (geralmente, traição nunca vem sozinha) fosse a traição?

No meu caso, eu insisti por muito tempo em escolher caras bastante “problemáticos”: em geral, pessoas com muita dificuldade de relacionamento ou pessoas com muita dificuldade de progredir no que quer que fosse (os caras nunca se formavam, sempre eram filhos muito protegidos pelos pais, enfim…). Então, a coisa já começava emocionalmente desigual. E vale dizer que a minha autoestima não valia muito, então, eu agradecia pelas migalhas e dava graças a deus por não estar sozinha. Depois, passou a ser financeiramente desigual também. E isso era algo que os caras não engoliam: ter uma mulher que se virava, que ganhava mais que eles. E eu era cruel. E jogava as diferenças na cara. Até que a corda partiu. E ele se vingou. E jogou na minha cara, por meio de atitudes cruéis, que ele tembém tinha poder. E que ele podia ser mais forte. E que eu não sabia de tudo. E doeu muito. Mas aprendi, acho. Espero.

Fiz mais do que apontar dedos: tentei analisar o que EU podia mudar. E tive o meu primeiro relacionamento civilizado, apesar de ainda bem desigual e de ter muitos padrões que se repetiam. Até que a corda partiu. A minha corda do padrão descaradamente desigual. E eu tive coragem de ter alguém na minha vida que tinha o meu nível de estudos, que trabalha, que teve coragem. Uma coragem que eu não teria. De recomeçar. De se recompor muito rápido num ambiente totalmente desconhecido. Enfim: não vou dizer que me livrei totalmente dos padrões. Padrões sempre se repetem. Mas podemos buscar mais igualdade. Podemos parar pra pensar no que precisamos mudar.

E você, o que aprendeu ou pode aprender com uma traição? O que pode fazer, além de apontar dedos e encontrar culpados/as? O que pode mudar? Que cordas pode arrebentar para ter relaciomentos mais livres?

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Desrespeito ao cliente: bar do Tilapa

Reproduzo abaixo um e-mail da queridíssima Natty (@navelar), que passou por uma situação constrangedora, para dizer o mínimo, no Bar do Tilapa, participante do festival “Sabor de Bar” de Sete Lagoas. Divulgo porque acho absurdo que qualquer pessoa, independentemente do fato de ser ou não ser consumidor(a), ser tratada desta forma:

Gostaria de relatar o incidente ocorrido no último sábado, dia 13/08, no bar do Tilapa, participante do Festival Sabor de Bar. Chegamos (eu, minha irmã, meu cunhado e duas primas) ao local por volta de 20h. Na entrada fomos abordados por um funcionário entregando comandas individuais. Chegamos a questionar sobre a necessidade destas, mas ele disse apenas que era para controle. Mais nenhuma informação nos foi passada. Nessa noite o bar estava funcionando no quintal, e era a primeira vez que estávamos indo ao estabelecimento. Durante a primeira hora ali, estava tocando um agradável som ambiente. Porém, de repente, começou a tocar uma banda de rock e blues. A qualidade das músicas estava até boa, mas o volume estava alto a ponto de não conseguirmos conversar direito e nos sentirmos desconfortáveis de permanecer ali. Após terminarmos de comer o que havíamos pedido, resolvemos ir embora. No momento de acertar a conta, para nossa surpresa, fomos informados de que havia um valor de couvert de 5 reais por pessoa. O art. 6° do Código de Defesa do Consumidor diz que é direito básico do consumidor a informação. Em momento algum fomos informados sobre o couvert, o que deveria ter acontecido no momento da entrega das comandas (ou estar escrito nas mesmas ou no cardápio). Judicialmente, existem 3 requisitos para o couvert artístico ser cobrado:
a)Oferecimento de show de música “ao vivo”;
b)Informação antecipada sobre o valor a ser cobrado;e
c)Existência de contrato de trabalho entre o artista e o estabelecimento (Lei Delegada nº4/62, art. 11,”c”).

Desses 3 itens, apenas o primeiro foi cumprido. Conhecemos a pessoa que levou a banda para se apresentar naquele dia e ela nos informou que os músicos não cobraram nada para tocar ali, apenas as bebidas que consumiram.

Temos ainda no mesmo Código:

II) – COUVERT ARTÍSTICO
Trata-se de venda casada qualitativa, proibida no artigo 39 do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. Só é válido nas casas que oferecerem músicas ao vivo ou alguma outra atividade artística em ambiente fechado. A casa deve afixar em local visível o contrato entre os músicos e o estabelecimento.

Insatisfeitos com a situação, pois não havíamos sido informados sobre o couvert, fomos argumentar com o próprio dono do bar, pedindo ao meu cunhado que fosse conversar com o mesmo para tentar negociar o pagamento de 1 couvert pela mesa. Assim que meu cunhado expôs a negociação ao ilustre dono do bar, o qual estava visivelmente embriagado, obteve como resposta gritos, insultos e palavrões do mais baixo calão. Para piorar a situação, a filha do dono do bar, que estava no caixa, ao invés de tratar-nos com o respeito que merecemos como clientes diante da embriaguez de seu pai, preferiu corroborar sua atitude violenta, dizendo que isso é coisa do “povinho de Sete Lagoas”, que “gente do nosso tipo não precisava voltar ao bar” e ainda que éramos “pobres, e que pobre não devia ir a bar de rico”. Tudo isso ocorreu aos berros, na frente de todos os clientes que estavam no local, para quem quisesse ouvir. Humilhados e chocados com o desrespeito, pagamos a nossa conta (sem o couvert) e saímos do bar, dizendo que a nossa nota para eles no Sabor de Bar era 0. Eles responderam que “a nossa opinião não ia fazer a menor diferença”. Já fora do bar, indo embora, fomos surpreendidos pela abordagem de uma das garçonetes, que, gratuitamente, foi até à varanda que fica na rua Goiás para insultar-nos, aos berros: “Gordinha, vai fazer uma regime”, “Vagabunda, vai arrumar um serviço” e “Pobres, pobres, pobres!!”. Um dos quesitos que é julgado e valorizado pelo Festival Sabor de Bar é justamente o atendimento aos clientes, além da valorização da cidade como um todo, usando para isso a gastronomia local. Me pergunto se um bar que trata seus clientes dessa maneira humilhante, debochando do “povinho de Sete Lagoas”, está à altura de participar desse evento, quiçá se está apto a funcionar. Espero que nosso apelo seja ouvido e que nossa opinião não seja em vão, como afirmou o ilustre dono do Bar Tilapa.
Divulgue esse e-mail e ajude a acabar com o desrespeito ao consumidor.

Obrigada.
Natália Avelar ●๋•

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FAQ- Por que não a Europa ??

Bom, tô voltando pro Brasil, de mala e cuia, pra ficar. Isso leva à fatídica pergunta: “Mas Maíra, por que você tá voltando??

Resposta: Bom, eu poderia responder várias e várias coisas, mas vou resumir: meu organismo não foi feito pra suportar o inverno europeu. É, eu também adoro o frio. Do Brasil. Com 12 horas de luz. É, é lindo roupa de frio, neve, usar casaco. Nas férias. Quando você está afim. Vem morar aqui e aguentar 8 meses de inverno, neném (não, as estações NÃO são bem definidas). Neve é um pé no saco: bloqueia vias, tira os ônibus de circulação, é chato pra andar e dá preguiça de ir ao supermercado da esquina, porque você precisa vestir 4 calças e 3 blusas e um casacão. Na verdade, meu problema maior foi com a falta de luminosidade. 5h da tarde já era noite e 8h da manhã era como 6h da manhã. Isso pirou o meu organismo: hibernava por horas durante o dia e, não importava o quanto eu dormia, ficava com um cansaço e um sono sem explicação. Não produzi merda nenhuma pra tese. Não fiz amigos multiculturais. Não saí de casa. Não viajei.

A Europa é tão multicultural! Morar aí dá bem mais oportunidade de conhecer gente do mundo todo!

Resposta: Na Suíça, isso é falácia. Desconfio que em boa parte da Europa também. As pessoas aqui, incluindo brasileiros e brasileiras, não têm esse espírito interativo, que nem no Brasil: ninguém quer ser abordado por um estranho, ninguém quer te dizer como está, como está a família, o cachorro, etc. As pessoas te olham torto porque você fala alto, mesmo quando você fala baixo. Elas olham horrorizadas quando você dá uma risada, mesmo que não seja das mais altas. Na aula, eu era o animal exótico sempre em observação. Vale lembrar uma coisa: a Europa está vivendo um contexto pós-crise e nunca a extrema direita esteve tão forte. Aqui na Suíça, 30% do poder está nas mãos da extrema (atenção: EXTREMA) direita. Isso te lembra alguém? (É fácil, começa com H…) Acho que isso demonstra a pouca disposição das pessoas em aceitar estrangeiros, não? Eles precisam culpar alguém pela crise. Então, o inimigo número 1 são os muçulmanos. Mas os latinos ladrões de emprego (empregos que eles não querem fazer nem por decreto, mas zuzo bem) também entram no bolo. Eles tão doidos pra gente cascar fora logo. De novo: uma coisa são suas férias maravilhosas de 15 dias num albergue irado. Outra bem diferente é morar e criar laços de amizade duradouros.

Nossa, mas é táo fácil viajar na Europa! Você pode ir a cada fim de semana para um lugar diferente!

Resposta: Fato. Ainda mais com as passagens vendidas pelas companhias aéreas low cost. Mas não preciso morar na Europa para aproveitar essa facilidade: junto dinheiro e venho NO VERÃO passear e conhecer os países que quiser, sem correria, sem pensar na tese e com dinheiro que não seja destinado à minha mal e porca sobrevivência na quarta cidade mais cara do mundo. Há afirmações que prefiro não comentar, porque quem até quem não me conhece tão bem assim pode imaginar que acho uma estupidez completa: “Nossa, mas a Europa é tão mais civilizada do que o esse esgoto de Brasil!” Mesmo assim, darei uma pequena resposta, dada por um professor fodaço do depto de Línguas Eslavas da Universidade de Lausanne, que vai sempre ao Brasil dar cursos e fala português perfeitamente: “O Brasil de hoje é a França de 1968”. E é isso que o Brasil representa pra mim: um território em debate, cheio de esperança com muita coisa a ser construída. Quero muito, muito mesmo participar de perto deste momento histórico único, com a esquerda no poder, abrindo um caminho cada vez mais fecudo para a construção de um Estado de Bem-Estar. Tenho um orgulho imenso do meu país, do crescimento real e concreto pelo qual estamos passando e quero, mais que tudo, escrever essa história. Deixem suas perguntas na caixa de comentários, que posso fazer um FAQ parte II! :)

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Preconceito, substantivo feminino?! (parte 2)

Acabei esquecendo de avisar aqui que postei a segunda parte da discussão sobre estereótipos da brasileira no exterior lá nas Blogueiras Feministas.

Divirtam-se!

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Preconceito, substantivo feminino?! (parte 1)

Eu tô azeda com um episódio de racismo que vivi recentemente na Europa. Resumindo bem a situação, estou namorando com um europeu « loiro dos zôio azul » e fui considerada (pelas costas, é claro), como uma aproveitadora, que está com ele para obter cidadania. Bom, passei da fase 1 = « sangue nos zóio » + « provar que não é verdade » para a fase 2 = « tentar digerir e racionalizar o assunto ». Pois bem : em plena era tecnológica, resolvi dar uma googlada em « mulheres brasileiras visto », e eis que me deparo, via um blog, com a capa da revista « Focus », com uma bunda e a chamada “Os segredos da mulher brasileira “.

Para continuar lendo, clique aqui.

Estou colaborando quinzenalmente no blog “Blogueiras feministas”. Sim, resolvi sair do armário… Em breve, a brilhante série “Saindo do armário”, não percam!

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Amsterdam

Ando mega sem tempo pra nada, mas tá todo mundo cobrando que eu fale sobre as férias, e tals. Daí vai uma palhinha de Amsterdam. Como eu ia ficar vários dias viajando de férias, achei melhor economizar e ficar num albergue. Só que empolguei na economia e fiquei num albergue que custava, nada mais nada menos, do que 35 francos o quarto duplo, com café da manhã incluído (o Ibis era 109 francos, só pra ter uma ideia da minha barganha). Tudo excelente, até o momento em que entro no taxi

(Erro número 1 na Europa (exceto em Portugal, até então): não pegue taxi. O transporte público, em geral, funciona excepcionalmente bem (com exceção pra Lisboa de novo, mas é bem mais ok do que em BH, por exemplo). Entra no Google Maps, digita o percurso, dá um zoom no mapa, descobre um desenhozinho de ônibus ou trem, clica em cima, descobre o número das linhas o sentido e… seja feliz! Geralmente, tem sempre trens que saem do aeroporto para a estaçãoo central das cidades e vice-versa. São trens que existem só pra esse fim. Daí são rápidos, fáceis de achar e beeem mais baratos que taxi. Só pra se ter uma ideia da diferença gritante de preço: pra vir do aeroporto até a minha casa -que fica ao lado da estação central de Genebra) de táxi é 35 francos, de TPG é 3 francos e de trem direto deve ser, no máximo 6, 30, que é o preço mais caro que se paga pra viajar pra França vizinha).

Pois bem: entro no taxi de uma moça supersinpática, falando inglês com todos os “f’s”  no lugar de “v’s” e discutindo comigo do aquecimento global ao trânsito de Amsterdam. E eu, mega carente de conversar com desconhecidos, bati altos papos com a moça (achei massa uma moça taxista! Perguntei pra ela se era comum em Amsterdam, e ela disse que não, mas que já estava no ramo há muito tempo). Aliás, o pessoal, em geral, é bem simpático em Amsterdam. Dão informações com a maior cara boa, e mesmo as pessoas mais velhas falam inglês.

Pegamos um engarrafamento por conta da neve, o que encareceu ainda mais o meu táxi. Quando passei o endereço pra moça, ela disse: “Posso estar enganada, mas acho que isso é no porto”. E eu, totalmente descrente da informação: “Bom, mas é um albergue…” Eis que, para minha total surpresa, eu estava hopedada no terceiro barco à direita da minha rua! Sim, fiquei hospedada num barco sem saber que era um barco (tava barato demais pra ser verdade…). Mas oh: o café da manhã era muito sensacional, com muuuita coisa e tudo gostoso. O quarto era muito pequeno, mas era aquecido e tem pia, então, de boas. O maior problema foi, obviamente, o excesso de umidade, mas creio que no calor seja de boa. E a parte tensa foi o banheiro coletivo. A ducha era bem ok, limpinha, mas a parte do toilette era meio tosca, mas nada que pudesse ser considerado como inutilizável. E tem outra: o cara fornece toalhas, se você pedir (eu tinha esquecido a minha e ele me deu uma limpinha!) O nome do albergue é Vita Nova. Reservei pelo site HostelWorld. Vale a pena, sobretudo se não for por muitos dias.

Amsterdam é bem legal: a cidade é pequena, dá pra fazer muita coisa à pé e tem coisas pra fazer à noite. As pessoas têm cara boa (dizer “são alegres” é pedir demais pra um europeu do norte) e o transporte público é muito organizado. O que recomendo fazer lá:

À noite, ir ao quarteirão da luz vermelha, claro! Você se diverte com as vitrines (atenção aos consumistas: vitrines divertidas, engraçadas, com coisas sexuais, não é shopping center), pode beber cerveja em vários pubs (eles servem café da manhã, almoço e lanche, mas à noite é só birita) e ver um lugar bem movimentado de gente (aiai, saudades…).Lá que têm as famosas coffe shops, onde você pode tomar um café e fumar o seu baseado (eu não fumo).

Bom, pra quem é viciad@ em museu que nem eu, tem três imperdíveis:

Museu Van Gogh

Museu casa Rembrandt

Reijksmuseum (pronuncia-se mais ou menos “Rêixmuseum”)

Não fui à casa Anne Frank, porque não deu tempo, mas dizem que é massa.

Pra durante o dia, tem um passeio de barco que é muito lindo! (A incauta aqui quase não foi, pra “não pegar vento frio”, mas o barco é fechado). É bem legal conhecer a cidade pelos canais. Além de tudo, o passeio é curtinho (cerca de 1he meia) e ainda dá pra aproveitar bem o dia depois. Eu fiz com o pessoal da Grey Tour. Eles também têm serviço de ônibus. Até então, foram os ônibus de turismo de que mais gostei, com percursos mais completos. Só que, se você for até o guichê de informações turísticas, eles vão te vender o passeio de ônibus por outra companhia e só o passeio de barco pela Grey Tour. Eu odiei o passeio de ônibus. Eles levavam nuns lugares super nada a ver, só pra fazer propaganda pra patrocinador (abandonei a excursão na segunda parada, atravessei a rua da loja de joias e fui pra casa Rembrandt). Aí o lance é andar na Damstraat, que fica bem perto do guichê de informação turística, e comprar os passes de ônibus e barco na própria sede de Grey Tour. Vi o percurso de ônibus deles e, certamente, era bem melhor do que o que fiz.

Bom, de Amsterdam é isso aí…  Depois vou postando mais dos outros lugares!

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Sobre o que não gosto aqui

Minha autoconfiança tá ali embolada e jogada fora nalguma lata de lixo. Talvez o maior desafio que eu tenho enfrentado ao viver em outro país não seja a língua, o frio ou a falta de sol: é que aqui eu de repente me deparei com uma Maíra fraca, medrosa, que morre de medo a ponto de ficar paralisada. Acho que eu estava com medo até mesmo de escrever, pois é difícil admitir que eu também posso não ter autoconfiança, não ser proativa, ter medo de não dar conta da minha pesquisa… São coisas que eu nunca senti antes, mas que vieram à tona com muita força aqui. Acho que ninguém gosta de se deparar com seu lado degradado, e aí a gente faz que nem o Dorian Gray e esconde todas as nossas imperfeições no porão, até que um dia encontramos o retrato de nossas próprias imperfeições.E pode ser aterrorizante aquilo que vemos.

Na minha pesquisa, nunca me senti tão perdida. Fico protelando, enrolando e querendo fazer todas as outras coisas que não sejam a pesquisa. Sinto-me perdida em meio de dois campos diferentes de interlocução e morro de medo de ser massacrada pelos quantitativistas. Tive um conversa bastante produtiva com meu orientador brasileiro e sua esposa, que me disseram que meu campo de interlocução tem que ser a área qualitativa, que é de onde eu venho e o que me interessa… Preciso bancar a minha escolha e enfrentar as críticas, logo eu, que me autocritico sempre e não suporto a ideia de falhar no campo acadêmico. Mas é o ônus de escolher fazer uma coisa nova e não repetir que nem vitrola arranhada o que várias pessoas já disseram por aí. Protagonizar mudanças, a minha ambição inicial, implica em riscos. Sinto falta da Maíra destemida e ousada, que simplesmente toca o foda-se e segue em frente com suas ideias absurdas e seus projetos ambiciosos.

Pra piorar a situação, estou numa cidade da qual não gosto. Levou um tempo para eu assumir pra mim mesma que não gosto de Genebra. Acho que é o lugar mais triste que eu já vi: o silêncio é opressor, as pessoas não sorriem nunca e as ruas são sempre vazias, especialmente depois das 6 da tarde. Reconheço que, se eu fosse mais elitizada, poderia gostar de dar um rolé pelas lojas da Louis Vuiton, pelas várias lojas de joias ou relógios, mas uma das coisas de que mais sinto falta no Brasil, é do seu João da farmácia que me pede pra trocar uma nota de 20 por duas de 10; é da D. Maria do EPA, que me diz que farofa Yoki é mais prática, é de diversidade…

Uma coisa que me choca aqui na Europa, até então, é a falta de diversidade no que diz respeito a pessoas: diferentemente do que eu pensava, aqui as pessoas são praticamente todas iguais, inclusive no modo de agir e em todos aqueles protocolos que eles adoram seguir. Não tem povo aqui, sabe? (Especialmente na Suíça, né) É tudo insuportavelmente igual. Esse mundo bege, pra mim, não tá com nada. Odeio o frio externo e o frio das pessoas. Sinto falta de conversar no ônibus com alguém que nunca vi, de buteco, de cinema barato, de feira lotada de gente e até de ônibus cheio. Sinto falta de 12 horas de luz, de salão de beleza uma vez por mês, de poder rir alto e ninguém se assustar, de comida com gosto de alguma coisa…

Quero voltar pro meu sol, pro meu povo, pro meu buteco, pro meu bairro… O fato de ter sido criada no interior também conta muito nessa vontade de “ter minha vida de volta”. Posso passar o resto da vida num grande centro, mas a cultura de querer conhecer e conversar com as pessoas; de prezar pela proximadade, sempre estará internalizada em mim. Não quero viver num lugar rico e sem graça nenhuma. Prefiro o caos colorido, como aquelas lunetas mágicas que tínhamos quando crianças, em que você olha num buraquinho, gira, e a cada hora vê figuras diferentes sendo formadas com pedrinhas coloridas.

Espero que 2011 seja mais produtivo do que 2010 aqui na gringolândia…

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“Paranoia petista”

Este post é destinado especialmente àquel@s que me disseram que “tanto faz votar na Dilma ou no Serra, pois não há mais diferença entre PT e PSDB”. E que “o Serra não seria burro o suficiente pra extiguir os programas sociais do governo e nem começar a privatizar tudo, pois a pupulação é contra”. Pois bem: num é que o Wikileaks pegou o Serra com a “boca na botija” na questão do pré-sal? (Golaço da Dilma em insistir nisso na campanha!) E olha que foi a Folha quem publicou o troço. Daí dá pra ver que não tem pra onde correr em defesa do Serra. Embora ele tente, pra variar.

E é importante lembrar que as principais mudanças votadas no Congresso em relação ao pré-sal dizem respeito a:

1- Destinar parte da verba gerada pela exploração de petróleo aos programas sociais do governo (um dia ainda escrevo sobre isso. Mas para aqueles que dizem que iriam mudar pros EUA, caso a Dilma ganhasse, um aviso: o bolsa-família do Brasil foi copiado em NY).

2- Manter a soberania nacional na exploração do petróleo (essa parte tá bem explicadinha na matéria da Folha).

Vou postar só o quadro-resumo da matéria, acrescentando a célebre vitimização agrassiva de Serra, que não tem UM PINGO de vergonha na cara, como bem demonstrou no segundo turno das eleições:

Ah, não pode faltar a célebre cara de pau do Serra, e os seus sempre imbatíveis argumentos: “Isso não faz sentido” e “Isso não é o meu estilo” (ele deveria andar com um gravador, coitado…)

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Feminazi

Contextualizando um pouco…

Ontem, no blog do Nassif, foi publicado um texto que provocou muita indignação na blogosfera feminista. Só para contextualizar um pouco a história, o Nassif publicou um comentário avulso do André, em que o autor critica as feminazis, que, segundo o autor, serve para designer “feministas radicais” (seja lá o que isso queira dizer, mas enfim…) Na verdade, o que me espantou muito (e à maioria das integrantes da lista “blogueiras feministas”, foi ver um texto com um alto teor preconceituoso publicado num blog de esquerda, dito progressista, sem nenhuma ressalva por parte do dono do blog. Até, então, não fica muito claro para mim qual é o posicionamento  de Nassif em relação aos comentários de André, pois o comentário só foi descontextualizado e  colado num post, sem maiores explicações. O que tendo a pensar, quando vejo algo assim, é que quem publicou o post concorda com a opinião ali exposta. Caso não seja assim, então devo dizer que Nassif falhou em não explicitar as razões de publicar um post com tal teor reacionário.

Alguns equívocos contidos no texto de André

Na tentativa de demonstrar as incoerências dos comentários de André, transformados num post por Nassif, algumas pessoas, incluindo a Lola, fizeram posts para explicar como os argumentos de André são falaciosos e preconceituosos (vale ressaltar que a assertividade das respostas rendeu o título de « barraqueiras » àquelas que se manifestaram. Aliás, essa palavra é frequentemente utilizada para se referir pejorativamente a mulheres, apenas. Ou você já viu algum homem ser chamado de « barraqueiro » ? Mas divago…). Aí vão alguns argumentos levantados pela Lola (suprimi alguns trechos irônicos, já que ironia feminina pode ser poerigosamente rotulada de « barraco) :

1-      «André diz que feminazis são feministas radicais, sem definir exatamente o que seria esse radicalismo. Ele parte da dúvida “Seria Dilma uma feminazi?” (pois Dilma, numa entrevista pro Washington Post, disse que era contra o apedrejamento de mulheres). Mais adiante, nos comentários, ele diz que sim, a declaração de Dilma poderia ser interpretada como de uma feminazi, já que ela condenou apenas a morte de mulheres, não de homens. Ou seja, sempre que estivermos falando de estupro, devemos dizer que somos contra os estupros de homens também. Caso contrário, estaremos nos manifestando a favor do estupro de homens. Hum, sério, você já conheceu alguém que fosse contra o estupro de mulheres, mas não o de homens? »

2-      André não fala coisa com coisa, e isso fica ainda mais visível quando ele se atrapalha nos comentários. É incapaz de uma argumentação linear. Por exemplo, quando alguém lhe ensina que o termo feminazi foi criado em 1992 pelo ultraconservador Rush Limbaugh, André diz que só porque algo foi criado por alguém não muito bem-credenciado não significa que haja um erro, e, como exemplo, diz que, se não fossem os americanos, não haveria internet, ou que o rap não deve ser odiado por ser popular entre “a bandidagem”. Hã?

3-      O mal de André com as feminazis é que, pelo que pude entender, algumas mulheres não gostam dele e o veem como inimigo, só porque, em outro post também publicado pelo Nassif, ele defendeu o Dia do Homem, tadinho. Tipo, pra ele as profissões mais mal pagas cabem aos homens. Tsc, tsc. No grande livro que é Backlash, Susan Faludi explica justamente o contrário. Na nossa sociedade, um dos trabalhos que um homem com menor qualificação pode ter é auxiliar de pedreiro. Para a mulher, é empregada. Em geral, um auxiliar de pedreiro ganha mais que uma empregada. Um pedreiro ganha mais que uma cabeleireira. Assim como um chef ganha mais que uma cozinheira. Um estilista de moda ganha mais que uma costureira. Precisa continuar? Fazer com que certas profissões sejam identificadas apenas a um gênero (a maior parte dos psicólogos é mulher; a maior parte dos psiquiatras é homem — quem ganha mais, um psicólogo ou um psiquiatra?) é uma forma de fazer com que mulheres recebam menos que homens. Adoraria ver uma estatística que provasse que não, mulheres têm salários maiores no nosso mundo. Ha, não tem nem quando exercem a mesma função!

 

4-      Nos comentários, André especifica que feminazis são mulheres que querem o extermínio de todos os homens. Hã, talvez tais mulheres existam (eu nunca conheci, mas tem louco pra tudo), mas digamos assim, elas são representativas de alguma coisa?

Acho este último trecho importante, pois o equívoco de André (e de todos aqueles que se dizem contra o feminismo), a meu ver, nasce de uma ignorância em relação ao feminismo. Elas costumam pensar que as feministas odeiam os homens, que são contra os homens e querem destruí-los ou que o feminismo é um machismo ao contrário quando, na verdade, o feminismo só prega a igualdade de direitos. Ser a favor do direito das mulheres não significa ser contra o direito dos homens, certo ?

O equívoco do termo “feminazi”

Bom, voltando à “vaca fria”, por que o termo feminazi gerou tanta indignação ? Porque ele reflete ignorância (pra dizer o mínimo) por parte de quem o usa. É um termo que encontra respaldo apenas no preconceito. A Cynthia Semíramis explicou isso de forma bem didática num post. Reproduzo algumas explicações :

1-      Feminazi é um termo que mostra completa ignorância a respeito não só de feminismo e luta pelos direitos das mulheres, mas de conhecimentos básicos de história. Feministas foram perseguidas pelos nazistas, que tinham uma visão extremamente limitada: mulheres deveriam obrigatoriamente ser mães, portanto estudos superiores e creches foram limitados, e aborto e métodos contraceptivos foram proibidos. O discurso feminista de emancipação das mulheres foi atribuído aos judeus, aumentando os motivos para persegui-los. A política nazista é anti-feminista, como bem demonstrou Kate Millett.

 

2-      Em suma: feminazi é um termo que denota ignorância ou má-fé de quem o profere, pois vai contra tudo o que se sabe sobre nazismo e sobre feminismo. Feminazi é um termo que só é utilizado por conservadores para tentar desqualificar quem luta pela implementação dos direitos das mulheres.

 

O receio da Cynthia (e o meu também) é que o termo comece a ser usado a torto e a direito pela mídia, sem que se atente para o fato de que, no fim das contas, trata-se de uma manipulação conservadora ou, no mínimo, de uma ignorância histórica.

 

O perigoso conservadorismo da esquerda nas discussões de gênero

Na verdade, o que me assutou (e me deixou bem triste), foi ver um termo com alta carga de pereconceito ser utilizado num blog progressista sem nenhuma ressalva. Na verdade, pra mim, isso só legitima o pensamento conservador, a partir do momento em que o próprio Nassif não faz questão nenhuma de diferenciar sua voz da voz da direita. Reproduzo alguns argumentos da Marília Moschkivich, qua aborda não só a attitude do Nassif, mas tantas outras de pessoas que se autointitulam e são intituladas como « progressistas » [grifos da autora]:

1-      A reflexão que quero fazer aqui é de um buraco mais embaixo: o machismo da esquerda, dos progressistas, dos revolucionários. Bem, que um conservador do PP, do PSDB, etc. exiba por aí seu machismo, é esperado. Afinal de contas, em momento nenhum eles pregam a igualdade, a justiça social, etc. O problema maior é quando todos aqueles que se dizem em busca de “um mundo melhor” ou do tal “outro mundo possível” (pra relembrar o mote dos fóruns sociais mundiais) esquecem-se de que as mulheres estão incluídas nessa “justiça”, “igualdade” e “sustentabilidade”.

 

2-      Historicamente entre os partidos comunistas, as questões das mulheres são colocadas em segundo plano, como se a mudança no modo de produção fosse automaticamente instaurar a igualdade de gênero. Como se a classe trabalhadora não tivesse práticas machistas ela mesma – como se tudo fosse uma consequência do capitalismo. Não é. A “causa das mulheres” (mais creches, ou licença maternidade, salários iguais, etc) é considerada secundária e as nós feministas somos consideradas divisionistas, o que representaria um problema na revolução.

 

3-      A esquerda é cheinha de indícios deste tipo de pensamento, a começar pelo fato de que seus partidos não fazem esforço ALGUM para eleger igualitariamente mulheres e homens e têm muito poucas mulheres em diretorias e cargos de poder. Isso sem falar em práticas ainda mais chocantes de militantes, como no PCO pedirem às militantes que usem seu poder de sedução para trazer novos membros e filiados aos partidos. Juro, história real, de uma amiga. Aconteceu mesmo.

 

4-      Ou seja: o discurso é lindo! Revolução, socialismo, comunismo, ecovilas, sustentabilidade ambiental, economia solidária, redes, UHU! Mas quando vamos falar em abolir práticas machistas, opressoras, de dominação, somos comparadas a nazistas. Somos chamadas de chatas e loucas por insistir tanto nesse assunto, como se as mulheres tivessem salários iguais, acedessem a posições iguais no mercado de trabalho, tivessem o mesmo apoio que os homens têm das famílias em suas empreitadas individuais, etc.

Na verdade, a intenção aqui não é de “pichar o Nassif”, mas de pegar o caso como um exemplo ilustrativo de como vários equívocos em relação ao feminismo são simplesmente disseminados por aí. Nossa preocupação é ver isso ocorrendo, inclusive, em meios progressistas, em que acreditamos (ou acreditávamos) ser possível um debate lúcido sobre a igualdade de gêneros. Porque, se um comentário preconceituoso sobre as feministas pode ser publicado, temos direito de resposta. Ou não ?

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Violência contra a mulher (2): violência gratuita

O texto abaixo, reproduzido do blog http://www.in-vestindo.com, mostra como a violência pode ocorrer por motivos não-passionais e ser gratuita mesmo. Minha opinião? Criminalizar um animal desses, óbvio. E também o dono do bar, por não ter prestado socorro e zelado pela sugurança do estabelecimento. Deve, no mínimo, ter seu bar fechado.

Aonde vamos parar?

Ontem cheguei em casa as 4 horas da manhã me perguntando: onde nós vamos parar?

Explico.

Eis os fatos: Fomos eu e mais duas amigas ao Vecchio Giorgio, um barzinho aqui em Floripa que fica na Lagoa da Conceição. Jantamos e subimos para o segundo andar, onde estava tocando uma banda de samba rock. O ambiente estava superlotado, insuportável. Decidimos que iríamos embora, e ainda não passava da 1 da manhã. De repente um rapaz começou a nos empurrar. Uma menina foi pedir para ele parar e ele imediatamente começou a agredi-la. Minha amiga foi separar e ele deu um soco em sua testa. Afundou a testa no mesmo momento. Algumas pessoas foram segurá-lo e ele começou a jogar garrafas nas pessoas. Uma outra menina foi atingida e levou sete pontos.

Questões importantes a serem consideradas:

1- Ninguém conhecia o rapaz. Ele saiu agredindo gratuitamente. Depois voltou  dançar como se nada houvesse acontecido;

2 - O segurança do Vecchio só apareceu depois, quando eu fui chamá-lo e levá-lo ao agressor;

3 – Perceberam que eu falei no singular? É que no Vecchio há apenas UM segurança;

4 – Os funcionários do bar em nenhum momento prestaram auxílio às vítimas. O proprietário do bar em momento nenhum subiu ao segundo andar para ver como estavam as vítimas;

5 – O segurança carregou o agressor e o levou para o andar de baixo, querendo liberá-lo. Como o pessoal do térreo não sabia o que estava acontecendo, tive que me colocar na frente do segurança e começar a gritar para impedir que o agressor fosse liberado;

6 - O proprietário do bar, que como eu disse, em momento nenhum foi verificar a situação das vítimas e não chamou a ambulância, mandou-me calar a boca, porque eu estava exagerando e fazendo tempestade num copo de água (palavras suas);

7 - O agressor ria e debochava da minha cara o tempo todo, dizendo que também me bateria;

8 - Dois meninos conseguiram trazer minha amiga para baixo e um policial civil presente impediu que o dono do bar e seu único segurança liberassem o criminoso. Fomos tentar sair com ela para levar ao hospital (lembrando que ela estava com a testa afundada), mas o dono do bar nos impediu de sair porque não havíamos pago as comandas;

9- Voltei ao caixa, paguei as comandas e saí com a minha amiga (precisavam ver a cara de alívio do dono do bar, que em momento algum ofereceu ajuda, só nos mandou parar de fazer escândalo desnecessário);

10 – Fomos ao hospital, minha amiga tevea testa afundada, um osso do crânio fraturado. Em momento algum apareceu alguém do bar para prestar assistência;

11 – Foi identificado o agressor, Lucas Felicíssimo, natural de Belo Horizonte, estudante da oitava fase de Medicina da UFSC. Dizem que chegou na Delegacia parecendo outra pessoa, aquele sorriso debochado fez-se lágrimas de crocodilo, acompanhados do velho jargão ‘sou inocente’. Quem viu disse que chegava a ser comovente tão brilhante atuação;

12 – O agressor, já acompanhado de advogados, foi liberado. Muitos dos presentes sentiram-se com medo de divulgar seu nome e ser ameaçado de crime de calúnia e difamação;

13 – Lucas Felicíssimo, não tenho medo da verdade. Você deve ter, eu não. Dezenas de pessoas te viram agredindo mulheres, quebrando a cabeça da minha amiga. Não tenho medo de você, seu covarde.

14 – Negligene ou conivente? Qual o adjetivo que melhor se coaduna com o proprietário do bar? E a omissão de socorro? E a falta de humanidade? Seu único interesse foi o de manter a imagem do seu bar, o tempo todo. E a falta de seguranças? E se ele tivesse uma arma? Teria nos matado a todos porque não há nenhuma espécie de controle na entrada. Ah, hoje fiquei sabendo que uma briga muito parecida ocorreu lá no Vecchio no feriado (nem isso levou o dono do bar a contratar mais seguranças);

15 – E o bandido, que em breves tempos será médico? Que tipo de médico é esse, que ao invés de salvar vidas manda duas mulheres que sequer conhecia, sem motivo, para o hospital?

As perguntas permanecem irrespondidas. Espero que a nossa Justiça possa responder algumas delas. Que mundo é esse? Onde vamos parar? Ah, o bandido e o dono do bar a essas alturas devem estar na praia; minha amiga está em casa aguardando uma cirurgia na cabeça.

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